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Doria quer recapear 400 mil m² de vias a partir de maio; Paulista será vitrine

Prefeito negocia que concessionárias de água e gás aumentem recuperação ao redor dos buracos que abrem para fazer serviço ou reparos

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Adriana Ferraz e Marco Antônio Carvalho

11 Abril 2017 | 03h00

SÃO PAULO - A Prefeitura iniciará em maio um programa de recapeamento das principais vias de São Paulo, com o objetivo de beneficiar uma área de 400 mil metros quadrados. A medida foi anunciada nesta segunda-feira, 10, pelo prefeito João Doria (PSDB), durante evento de balanço dos cem primeiros dias de gestão. A ação deverá ser custeada por meio de recursos municipais, arrecadados com multas de trânsito, verba federal e parcerias com empresas privadas e concessionárias de serviços, como de água e gás - esta última em fase de negociação.

“No dia 2, começaremos um programa de recapeamento, o Asfalto Novo. Mesmo com escassez, conseguimos viabilizar recursos do governo federal (Ministério das Cidades), formando um fundo para o asfaltamento de 400 mil metros quadrados”, disse Doria. De acordo com o prefeito, paralelamente, as empresas que já realizam o serviço na capital se comprometeram a custear o recapeamento de outros 280 mil metros quadrados de asfalto. “E é asfalto de qualidade. Agora não tem mais esse negócio de padrão 1, 2, 3. Tem só um padrão: o padrão de qualidade.”

O investimento municipal será viabilizado por meio do Fundo Municipal de Desenvolvimento de Trânsito, formado com o pagamento de multas à Prefeitura. A expectativa é de que sejam retirados R$ 200 milhões dessa conta para o pontapé inicial do programa. Doria, no entanto, quer que a iniciativa privada pague pelo recapeamento da Avenida Paulista, via que deve servir como vitrine da ação. Até agora, ainda não há doação fechada neste sentido.

Do mesmo modo, as concessionárias de serviços, como Sabesp e Comgás, ainda negociam com a Prefeitura a forma como se dará a participação do setor no programa. Doria tem declarado publicamente que sua meta é fazer com que elas aumentem o recapeamento do entorno do buraco que abrem nas ruas para fazer determinado serviço ou reparo. Segundo o tucano, para cada metro quadrado aberto é necessário recapear 50 metros quadrados.

O último grande programa de recapeamento em São Paulo se deu em 2014. Por causa da Copa do Mundo da Fifa, o então prefeito Fernando Haddad (PT) trocou o asfalto de algumas das principais vias, como as Marginais e as Avenidas Paulista e Rebouças. De lá pra cá, pouco foi feito. O resultado é que motoristas de diferentes partes da capital paulista têm convivido com uma rotina de desvios que aparenta ser cada vez presente.

Tapa-buraco. A situação fez a Prefeitura intensificar, no início de março, as atividades da operação tapa-buraco, que a atual gestão trata como programa diferenciado em relação ao Asfalto Novo. A administração não informou quantos chamados recebeu desde o começo do ano para reparos. Em seu site, porém, há dados apontando que, desde o início de fevereiro, 27.558 buracos foram tapados, somando 204 mil metros quadrados em diferentes regiões da cidade, o equivalente ao espaço de 28 campos de futebol.

As planilhas da Secretaria das Prefeituras Regionais mostram que as atividades ocorreram em diferentes regiões da cidade, como São Mateus, na zona leste, onde 18 mil metros quadrados foram cobertos, além de Jaçanã, na zona norte (17 mil m²), Sé, no centro (12 mil m²) e Pinheiros, na zona oeste (11 mil m²). Até o fim de junho, o serviço deve se concentrar na Vila Maria, zona norte, e no Butantã, zona oeste, onde as atividades devem ocorrer em 1.180 e 420 logradouros, respectivamente.

A média mensal é similar à da gestão Fernando Haddad (PT), em 2015, quando mais de 24,5 mil buracos foram tapados. A Secretaria das Prefeituras Regionais informou que tem 75 equipes de tapa-buraco. 

Outra marca da gestão João Doria (PSDB), a operação já conta com doações de uma empresa privada. A Única Asfaltos doará 1,2 tonelada para a atividade, pequena parcela dos cerca de 20 mil toneladas que a Prefeitura pretende usar por mês. O volume total de massa asfáltica é suficiente para fechar cerca de 40 mil buracos com dimensões de dois metros quadrados.

Para a administração, a quantidade de defeitos nas vias é explicada por diferentes fatores, como a grande quantidade de intervenções e obras, idade avançada das estruturas e mudança de uso, que ainda refletem no sistema de drenagem, com risco de alagamentos.

Por dia, motorista relata 2.246 desvios de buracos por APP

Com 3,5 milhões de usuários ativos, o aplicativo de trânsito Waze permite que os motoristas enviem ao sistema uma série de marcações como forma de orientação a quem dirige. Em fevereiro, por exemplo, foram feitos 67.381 alertas de buracos na região metropolitana de São Paulo. O Waze faz a ressalva de que um mesmo buraco pode ser marcado por mais de uma pessoa.

Ainda assim, o número representa a criação de 2.246 alertas diários, padrão similar ao observado em janeiro, quando foram marcados 2.244 buracos por dia, segundo dados levantados a pedido do Estado. Os dados indicam a frequência com a qual os motoristas têm de desviar dos desníveis para seguir viagem. 

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Marco Antonio Carvalho

11 Abril 2017 | 03h00

“A cada dia parece piorar, a gente escapa de um buraco e cai em outro. Assim, a suspensão não aguenta, além da preocupação com o deslocamento e eventual dano à carga, que a gente tem de acabar pagando”, contou o caminhoneiro Pedro Bueno, de 32 anos. O motorista usa com frequência a Avenida Presidente Wilson, na Mooca, que, com os seus mais de 7 quilômetros, liga a zona leste a São Caetano e tem um tráfego intenso de caminhões.

As características dos veículos pesados parece afetar diretamente a qualidade da pavimentação da via. Ao longo de toda a sua extensão, é possível notar buracos de diferentes tamanhos e, em alguns trechos, há mais calçamento do que asfalto, forçando o motorista a andar em zigue-zague. 

A tarefa é trabalhosa especialmente para o motorista de ônibus Nivaldo Alves, cujo trajeto diário inclui a parada próximo da Estação Tamanduateí, do metrô e da CPTM, na avenida. “Isso aqui é terrível. Temos de andar mais devagar e quando chove acabamos não vendo os buracos, o que dificulta ainda mais o nosso trabalho”, disse, em março. A situação da Presidente Wilson encontra similaridades com outros pontos ainda na zona leste, como a Avenida do Estado, além de áreas no centro. “Temos até uma boa sinalização, mas a estrada é realmente ruim. Sem condições”, reclamou o motorista Marco Manoel Mendes, de 42 anos.

Operação em Santo Amaro. O Estado acompanhou umas das operações tapa-buraco em Santo Amaro, na Rua Engenheiro Tomás Whately. Lá, um grupo da Prefeitura Regional atuava em quase dez crateras que se acumulavam nas imediações. O comerciante Antonio Carlos Gomes, de 70 anos, cujo estabelecimento funciona perto do endereço, disse esperar que o trabalho perdure por mais tempo. “Às vezes só jogam aquela capinha de asfalto e já tem de voltar no ano seguinte”, disse.

Lá, a operação consistia na demarcação retangular do buraco, retirada da camada de asfalto e reposição com o novo material, em uma ação que poderia estender-se por quase uma hora para cada reparo. O procedimento, segundo informou a Prefeitura Regional de Santo Amaro, pode representar o dobro do custo em relação ao que era feito até o ano passado - R$ 500 frente aos R$ 270 por metro quadrado aplicados pela gestão anterior -, mas deve ser mais duradouro.

“É um tapa-buraco com excelência”, destacou o engenheiro Carlos Cabral, da coordenadoria de obras da regional. Ele destacou que a maioria dos buracos existentes na cidade envolve a ação de concessionárias de serviços, como a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

A Secretaria das Prefeituras Regionais informou que criou um grupo de trabalho para identificar o melhor modelo de contratação dos serviços de tapa-buraco, considerando “a metodologia de execução e a qualidade do asfalto”. Sobre a situação da Avenida Presidente Wilson, a gestão disse que uma vistoria está na programação para “minimizar os problemas”.

Já a Sabesp destacou que sua rede de água e esgoto soma 37 mil quilômetros na cidade. “Somente em 2016 foram 20.546 reposições em via asfaltada com intervenções de porte superior a 2 m². As obras são realizadas por empresas terceirizadas e a Sabesp fiscaliza a execução dos serviços com equipe própria e também realiza controle tecnológico”, informou a companhia por nota.

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