ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Doria: Pedir é papel institucional do prefeito e setor privado pode responder

Em Lisboa para um seminário, o prefeito de São Paulo disse ainda que evita falar mal de seu antecessor

Célia Froufe, Enviada especial

19 Abril 2017 | 15h36

LISBOA - O prefeito de São Paulo, João Doria, disse nesta quarta-feira, 19, que adota uma forma de atuar sem que seja necessário falar mal ou culpar seu antecessor pelos compromissos que não se consegue cumprir. "Nunca tente fazer política com retrovisor. Em vez de perder tempo falando mal do seu antecessor, ajude a encontrar soluções. Você foi eleito para resolver os problemas, não perdemos tempo falando mal de quem passou", disse, citando que, para isso, faz visitas surpresas a hospitais, escolas e creches.

Sem dizer que se tratava de uma resposta aos céticos de que as empresas podem colaborar com a gestão pública sem exigir contrapartida, Doria afirmou que pedir também é o papel institucional de um prefeito. "Faço isso para que o setor privado possa responder como empresas cidadãs", pontuou. Ele também disse que, se pudesse ter algum poder na área Legislativa, atuaria para reduzir o volume de impostos sobre os medicamentos. "Não faz sentido ter 19% de impostos para medicamentos."

Doria fez estas afirmações durante o segundo dia do V Seminário Luso-Brasileiro de Direito, promovido na capital portuguesa pela Escola de Direito de Brasília do Instituto Brasiliense de Direito Público (EDB/IDP) e pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (Fdul). O prefeito chegou atrasado ao evento porque esteve antes em Roma para um encontro com o Papa Francisco. 

Aplausos. Ao entrar no auditório, quem falava era o ministro da Saúde, Ricardo Barros. Assim que entrou no local, a plateia o aplaudiu e Barros teve de aguardar que o prefeito fosse encaminhado para a mesa, tamanho o burburinho. A plateia do evento, que já estava esvaziada, voltou a encher com a chegada de Doria.

Sobre a reunião da manhã em Roma, o prefeito relatou que insistiu com o papa para que fosse visitar o Brasil em outubro, uma solicitação negada recentemente pelo pontífice. "Insisti com o papa. Disse que sou brasileiro e que brasileiro não desistia nunca, disse que os brasileiros são muito perseverantes", disse. Ele informou que chegou a pedir que Francisco revisse sua decisão de não ir ao Brasil em outubro. "São 300 anos da padroeira do Brasil em uma nação com o maior número de católicos do planeta, são 130 milhões de católicos no Brasil."

O papa respondeu ao prefeito que era difícil mudar a posição, mas Doria teria reforçado para que considerasse a hipótese. "Ele sorriu. Eu ofereci a ele a bandeira brasileira, pedi a sua bênção e pedi também sua bênção aos brasileiros, principalmente para os mais pobres e humildes", descreveu. Doria comentou que não houve durante o encontro menção às reformas por nenhuma das partes. "Entendo que religião não se mistura com política e, neste caso, era uma visita religiosa e histórica também. Entendo que não deva haver nenhuma alusão política, partidária."

Encontrou algum erro? Entre em contato

0 Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.