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Tiago Queiroz/Estadão

Doria cogita tirar carnaval de rua da Vila Madalena em 2018

Prefeito nega que esteja desestimulando a folia, diz que locais da festa serão reavaliados e que vai exigir mais disciplina no ano que vem

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Adriana Ferraz e Pedro Venceslau ,
O Estado de S.Paulo

06 Março 2017 | 12h44
Atualizado 06 Março 2017 | 20h49

SÃO PAULO - O prefeito João Doria (PSDB) afirmou nesta segunda-feira, 6, que “muito provavelmente a Prefeitura não fará mais carnaval de rua na Vila Madalena”. Segundo o tucano, o bairro boêmio da zona oeste da cidade não suporta o evento. “Não há condições para isso”, disse, em entrevista à Rádio Jovem Pan.

Doria ressaltou que o possível veto à folia no bairro em 2018 não quer dizer que a gestão não pretenda ampliar mais o carnaval de rua na cidade. “Pelo contrário, será incentivado. O que vai existir é mais disciplina e aviso, comunicação às pessoas.” O prefeito afirmou ainda que as mudanças visam a permitir o descanso de quem quiser e a liberar o acesso às casas dos moradores – muitos reclamam que ficam “ilhados”.

Prefeito regional de Pinheiros, Paulo Mathias reforçou a incompatibilidade do bairro com o carnaval de rua de São Paulo, que só cresce. No domingo, por exemplo, a cantora Daniela Mercury levou mais de 400 mil pessoas à região central da cidade. “A Vila Madalena é um bairro residencial e sempre sai machucada dos carnavais”, disse, ressaltando, porém, que neste ano houve mais controle. 

Mathias afirmou que pretende discutir a decisão com moradores e comerciantes. Os blocos poderão ser deslocados para o centro, o Largo da Batata ou outras vias de Pinheiros. 

Um debate com a sociedade é o que espera o comerciante Leo Gola, um dos donos do tradicional Ó do Borogodó, cujos músicos desfilam pelas ruas do bairro há mais de dez anos. “Temos um ano para discutir isso. Estamos abertos ao diálogo para negociarmos o que for melhor para a cidade”, afirmou.

Representantes do bloco Fervo da Vila, que saiu pela terceira vez neste ano, demonstraram preocupação. “O prefeito já afirmou que queria tirar a Virada Cultural do centro e colocar em espaço fechado, depois recuou por pressão popular e disse que apenas uma parte iria sair do centro. Ele tem demonstrado não gostar da ideia de ocupar os espaços públicos com atividades para todos e de graça. Esperamos que ele recue de novo”, disse Arthur Souto. “Uma saída seria deixar pequenos blocos na Vila Madalena e transferir os maiores para a região central.” 

Presidente da Sociedade Amigos da Vila Madalena (Savima), Cássio Calazans classificou a disposição de Doria como uma “questão de bom senso”. Segundo o publicitário, o prefeito deve ter entendido que a festa atrapalha o bairro. “A gente tem de ir embora para longe durante esses dias (de carnaval).”

Segundo Calazans, a festa deste ano foi menos prejudicial ao bairro, mas houve conflitos. A Prefeitura teve de apelar, por exemplo, a gradis para impedir que foliões ocupassem as ruas mais residenciais, uma vez que o palco no Largo da Batata não impediu que a Vila Madalena tivesse barulho, bebida e festa até depois do horário marcado.

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