Dono de salão de beleza é atingido por dez tiros em assalto

Com a chegada da polícia, dois suspeitos foram mortos; proprietário fei feito de escudo humano

Efe

12 Junho 2009 | 03h54

Dois suspeitos morreram, dois foram presos e duas vítimas foram baleadas durante um assalto a um salão de beleza em Pirituba, na zona oeste de São Paulo, na noite desta quinta-feira, 11. Entre elas estão o dono do salão, que foi feito de escudo humano pelos bandidos, e uma funcionária. De acordo com o filho do comerciante, Jonas Souza de Barros, de 28 anos, nenhum dos dois corre risco de morte.

 

O Centro de Estética Belíssima, localizado na Avenida Mutinga, foi invadido por quatro homens às 20h15. No momento, vários funcionários e clientes estavam no local. Por telefone, uma testemunha avisou a polícia do roubo. Viaturas da 3ª Companhia e da Força Tática do 49º Batalhão foram ao local e os assaltantes se apavoraram com a chegada da PM. "Foram os bandidos que começaram o tiroteio e usaram o meu pai como um escudo", afirmou Jonas, baseado no relato da madrasta, que testemunhou o crime.

 

Segundo ele, com a chegada dos policiais, os bandidos começaram a atirar em todas as direções. A polícia revidou. Durante a troca de tiros, foram atingidos Orestes Gomes de Barros, de 59 anos, uma cabeleireira de 36 e dois bandidos. Todos foram socorridos ao Pronto-Socorro de Pirituba. O filho do comerciante disse que o pai foi atingido por dez disparos: quatro no fêmur, um na mão direita (que resultou na perda de um dos dedos), um no rosto, um em cada um dos pés e dois na axila. Ele foi transferido ao Hospital Samaritano, onde deverá passar por cirurgia.

 

Jonas falou ainda que, conforme a sua madrasta, os tiros que acertaram o comerciante foram todos disparados pelos criminosos. Mas a polícia vai investigar de onde partiram os disparos. Para a investigação, foram apreendidas nove armas: sete de policiais e dois revólveres calibre 38 dos bandidos, cada um deles com três tiros disparados.

 

A cabeleireira foi atingida por um tiro no abdome, perto do coração. Os dois assaltantes baleados, identificados como Márcio Alves de Souza, de 30 anos e Aurélio Pellizon de Camargo, de 31, não resistiram aos ferimentos. Os outros dois criminosos - Rafael Tamires de Camacho, de 21 anos e Thiago Pinheiro dos Santos, de 22 - foram presos e responderão por homicídio qualificado tentado, resistência, roubo qualificado e formação de quadrilha. O caso foi registrado no 33º Distrito Policial (Pirituba).

 

Segundo a Polícia, os bandidos chegaram a reunir objetos como relógios, bijuterias e celulares para roubar antes da chegada dos PMs, mas todos eles foram recuperados.

 

Ação da PM

 

Conforme o tenente Augusto César Leite da Fonseca, da Força Tática do 49º Batalhão, foram os criminosos que deram início ao tiroteio. Questionado se a polícia agiu corretamente no momento em que o comerciante foi usado como escudo pelos bandidos, ele respondeu que apenas a perícia poderá dizer quem disparou os tiros que atingiram a vítima.

 

"Não se pode afirmar que a polícia efetuou disparos contra esse escudo humano. Na verdade, quem vai dizer se esses disparos foram da PM ou dos marginais são os exames de balística", afirmou. "Em princípio, não houve disparo da PM quando as pessoas foram feitas reféns. Tanto que a proprietária do estabelecimento foi feita de refém também, por alguns momentos, e ela conseguiu ser salva ilesa", completou.

 

O policial lembrou que além das vítimas, dois criminosos foram atingidos. "O fato de ter duas vítimas baleadas implica também em dois marginais baleados. Quem iniciou o tiroteio foram os marginais e talvez se a PM não tivesse agido nós teríamos não dois marginais mortos, mas sim talvez vários reféns mortos no local", concluiu.

 

Família quer vender salão

 

O filho do comerciante baleado afirmou que, como a família tem outras fontes de renda, conversará com o pai assim que ele deixar o hospital para que o salão de beleza seja vendido. "Eu vou tomar essa atitude e com certeza ele não vai mais ter esse estabelecimento", garantiu.

 

De acordo com Jonas, esta não foi a primeira vez em que o salão foi alvo de criminosos. Há um mês e meio, ele foi invadido durante a noite, enquanto estava fechado. Os ladrões levaram apenas uma quantia em dinheiro porque o alarme do local disparou.

 

Jonas disse ter conversado com o pai antes que ele desse entrada no PS de Pirituba. Orestes estava lúcido e perguntou apenas se estavam todos bem e se mais alguém foi atingido.

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