Do papel para a prática

Conseguir aprovar uma lei federal que controlasse rigorosamente as armas de fogo e, consequentemente, reduzisse homicídios foi por muitos anos a aspiração da sociedade brasileira. Após longa batalha, o Estatuto do Desarmamento foi aprovado. Contudo, muitos pontos ainda deixam a desejar - ou pior: violam a lei. Até hoje, Exército e Polícia Federal não têm dados interligados sobre armas de fogo, prejudicando profundamente o trabalho de combate ao crime.

Análise: Denis Mizne, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2010 | 00h00

Há categorias "privilegiadas", que mantiveram o direito a possuir armas e criaram verdadeiros arsenais sujeitos a controles frouxos, para dizer o mínimo. Pessoas que têm as armas de fogo como hobby, como colecionadores e atiradores, são tratadas como "intocáveis" pelas autoridades. Seus dados ficam inacessíveis para polícias e não sofrem a fiscalização rigorosa que o próprio Exército estabelece. Isso é ainda mais preocupante porque mais de 150 mil armas (quase metade dos arsenais de todas as Polícias Militares do País) estão nas mãos dessa categoria.

A boa notícia é que com o Estatuto já temos os instrumentos legais necessários para mudar a realidade e continuar salvando vidas. À população cabe não deixar que a lei perca sua força.

É DIRETOR DA ONG SOU DA PAZ

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