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Discussões com zelador eram por 'manutenção do condomínio', diz mulher de publicitário

Luiz Fernando Toledo - O Estado de S. Paulo

04 Junho 2014 | 17h 46

A advogada Ieda Martins afirma que desconhecia o conteúdo da mala que transportou para o carro - onde provavelmente estaria o corpo de Jezi Lopes de Souza

Atualizada às 19h02

SÃO PAULO - A mulher do publicitário Eduardo Martins, acusado da morte de Jezi Lopes de Souza, relatou à Polícia Civil que seu marido discutia frequentemente com o zelador por "questões sobre manutenção do condomínio. O homem mantinha desavenças com o zelador, mas apenas discussões verbais, "nunca com agressões mútuas ou palavras de baixo calão", de acordo com o depoimento da advogada Ieda Cristina Cardoso da Silva Martins.

O Estado obteve o depoimento de Ieda à polícia sobre a morte de Souza. A advogada, ainda sob investigação, foi solta na noite desta terça-feira, 3, depois de a Polícia Civil considerar que não há provas da participação dela na morte - e pela ocultação de cadáver a prisão temporária não pode ser decretada.  

O delegado Egídio Cobo, titular do 13.º Distrito Policial (Casa Verde), informou que a 36.º DP da Polícia Civil do Rio de Janeiro ainda investiga o homicídio de um ex-companheiro de Ieda, em um inquérito de 2005. Reportagem do Estado não conseguiu acesso ao documento e não foi possível contato com o titular da delegacia, que fica no bairro Santa Cruz.

Nas cinco páginas do depoimento, Ieda relata que Martins, com quem é casada há 11 anos e com quem tem um filho, não tinha boa relação com Souza, "tendo em algumas ocasiões ocorrido discussão entre ambos". Segundo a advogada, o marido também brigava com o síndico do prédio, Virgílio.

Álibi. O depoimento é focado no álibi de Ieda. Ela relata que, pela manhã, Martins levou o filho para a escola às 6h30 e retornou para casa. Depois, voltou para pegá-lo. Na hora do crime, por volta das 15h30 de sexta-feira, 30, Ieda afirma que estava em seu escritório, na Avenida Imirim, zona norte da cidade. 

Antes de sair, Ieda teria alertado o marido de que, por volta das 16h ou 16h30, precisaria da ajuda dele para separar alguns documentos de um processo judicial e preparar uma mala de objetos que eles separavam há algum tempo para doação. Ela negou ter visto o conteúdo da mala onde estaria o corpo do zelador - disse apenas que teria organizado os pertences que seriam doados à igreja e colocado dentro dela. Havia a possibilidade de que o pai de Martins fosse morar no apartamento e, por isso, eles estavam desocupando um quarto e doando parte das roupas, sapatos e toalhas que estavam no local. 

Ieda saiu e, por volta das 16h, teria recebido uma ligação do marido, que estaria com a voz ofegante. Ele teria dito que não poderia fazer os favores, pois estava passando mal, e queria que ela voltasse para casa mais cedo para pegar o filho em um curso de reforço.

Quando Ieda subiu ao estacionamento, teria encontrado Martins com o rosto vermelho. No depoimento, ela relata que "não estranhou, já que há algum tempo Eduardo sofria de hipertensão, colesterol alto e sangramento intestinal, e que, quando ele passa mal, costuma ficar vermelho".

O marido disse que estava melhor e pediu que ela comprasse cartolina para o filho e pão para um lanche.  Segundo esse trecho do depoimento de Ieda, ela não entrou em nenhum dos quartos nem observou o interior da mala. Ficou apenas três minutos no imóvel. No supermercado, a advogada relata que encontrou uma vizinha do prédio enquanto fazia compras. Na volta, às 17h30, o casal combinou que depois levariam a mala com os objetos para a igreja. 

Ieda conta ter visto a mala grande e um saco de cor verde de aproximadamente 100 litros já no corredor do prédio. Os dois levariam os objetos à igreja para doação. Eduardo pediu que antes ela buscasse o filho no curso de reforço.

O marido teria afirmado, então, que seu pai, que mora na Praia Grande, litoral paulista, estava passando mal. Ele ficou de levar a mala até a igreja e, depois, prestaria socorro ao pai. Ieda retornou à garagem para que guardassem a mala. 

Ieda disse que o trânsito estava intenso e eles desistiram de ir à igreja. Martins teria deixado ela e o filho no escritório e seguido para a Praia Grande em seguida.

Investigação. Ieda foi solta na noite desta terça-feira, 3, depois de o pedido de revogação da prisão temporária, feito pelo advogado Roberto Guastelli, ser acatado pelo juiz da 2ª Vara do Júri de São Paulo, Rodrigo Tellini Aguirre Camargo. 

De acordo com a lei, o crime de ocultação de cadáver não permite a decretação de prisão temporária. Não há indícios de que ela tenha participado do homicídio.

O documento de revogação ressalta que "a custódia da investigada Ieda, neste panorama, não se mostra imprescindível para a investigação criminal". Guastelli argumenta, sem pedido, a prisão seria "pura e simplesmente para averiguações, como era prática nos anos de exceção em que vivemos antes da chamada abertura política".

Vídeos. Em um vídeo gravado pela Polícia Civil, o publicitário nega a participação de Ieda no crime. Ele relata a briga que teve com Souza que levou à morte do zelador, quando teria batido a cabeça na quina da porta, mas insiste que foi um acidente. 

Imagens da Polícia Civil mostram que uma arma foi encontrada na casa do pai de Martins em Praia Grande, mas não há confirmação se existe relação dela com o crime. 

No vídeo, o publicitário afirma que levou o corpo para o litoral sozinho e que só depois encontrou Ieda em São Paulo. Imagens da câmeras do condomínio mostram que ela o ajudou a levar a mala até o veículo Logan, antes da ida de Martins à Praia Grande.

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