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Dilma se reúne com sem-teto e estuda inclui-los no Minha Casa Minha Vida

Almir Leite e Laura Maia de Castro - O Estado de S. Paulo

08 Maio 2014 | 16h 04

Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) organizou três atos simultâneos e invadiu as sedes das empreiteiras responsáveis pelas obras da Copa

Atualizada às 20h40

SÃO PAULO - Após a realização nesta quinta-feira, 8, de cinco protestos de movimentos que lutam por moradia - três deles simultâneos -, representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) se encontraram com a presidente Dilma Rousseff em Itaquera, na zona leste de São Paulo. Segundo a assessoria da presidente, ficou acordado na reunião que o Ministério das Cidades vai estudar a inclusão de moradores de ocupações no programa Minha Casa Minha Vida.

De acordo com um dos coordenadores do MTST, Guilherme Boulos, o encontro durou 20 minutos e teve a presença do prefeito Fernando Haddad (PT). "A reunião foi positiva. O governo vai estudar a possibilidade de desapropriação do terreno onde está a ocupação Copa do Povo, em Itaquera, para a construção de moradias populares", afirmou Boulos. Haddad, porém, negou que a situação do terreno em particular tenha sido discutida.

Pela manhã, os três atos simultâneos convocados pelo MTST, pelo Movimento Popular por Moradia (MPM) e pelo Movimento de Luta Popular (MLP) terminaram com a invasão e a pichação de prédios das três principais construtoras responsáveis pela reforma e construção dos estádios da Copa do Mundo: Odebrecht, Andrade Gutierrez e OAS.

A manifestação, que teve início na Estação Butantã do Metrô, se juntou à marcha do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), chegando a 1,5 mil pessoas. Os manifestantes caminharam até o prédio da Odebrecht, onde um grupo de cerca de 150 integrantes conseguiu entrar na recepção e pichar vidros, paredes e o chão com frases como "Copa das tropas e das empreiteiras" e "O poder é do povo".

A ação no prédio durou cerca de 15 minutos e funcionários foram impedidos de entrar. "Não sei o que fazer, parece que eles fecharam todas as portas", disse um funcionário da empresa que chegava para trabalhar e preferiu não se identificar.

Já os militantes que se concentraram na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, caminharam até a sede da OAS, na Avenida Angélica, onde também houve pichações. Segundo a empresa, funcionários chegaram a ser ameaçados. Enquanto isso, o protesto na frente do prédio da Andrade Gutierrez partiu da Estação Berrini da CPTM.

As três ações que miravam construtoras fazem parte de uma nova estratégia lançada pela Resistência Urbana, uma frente nacional de movimentos populares, denominada "Copa Sem Povo, tô na Rua de novo". "A partir de agora, serão atos semanais. Não apenas com o objetivo de denúncia, mas com o objetivo de apresentar reivindicações", disse Guilherme Boulos, do MTST. "Resolvemos começar a campanha com aqueles que foram os verdadeiros vencedores da Copa: as três empreiteiras."

Após os protestos, as construtoras divulgaram nota lamentando o ocorrido, com conteúdo semelhante. Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez disseram que respeitam "todo tipo de manifestação pública pacífica", mas repudiavam veementemente ações de vandalismo e "atos como os ocorridos nesta manhã".

Outros casos. Outras duas manifestações de moradia foram pontuais. Entre 4h e 10h15, cerca de 400 integrantes do Movimento Anchieta bloquearam vias da zona sul da cidade. Eles reivindicavam que um terreno da região fosse destinado à construção de moradias populares. O grupo bloqueou as Avenidas Dona Belmira Marin e Teotônio Vilela.

À tarde, cerca de 80 integrantes da ocupação Mangue Seco fecharam as Avenidas Paulista e Brigadeiro Luís Antônio. O ato se dispersou por volta das 16h no vão livre do Masp, onde a manifestação havia começado.

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