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Dilma acha 'lamentável' quebra-quebra na estação Itaquera

TÂNIA MONTEIRO, JORGE MACEDO, LUCIANO BOTTINI FILHO - O Estado de S. Paulo

05 Junho 2014 | 15h 43

Passageiros tentaram bloquear a passagem de trens da CPTM e a estação ficou fechada até as 7h40

Atualizada às 21h29

BRASÍLIA - O quebra-quebra na Estação Itaquera do Metrô, na manhã desta quinta-feira, 5, repercutiu em Brasília. Após participar da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), a presidente Dilma Rousseff criticou o episódio. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, recorreu ao patriotismo para tentar sensibilizar os manifestantes e grevistas. Para ele, “quem é brasileiro sabe honrar a terra em que nasceu”. 

Dilma disse que era “lamentável” a conduta de usuários de destruir grades e também ocupar os trilhos por causa da greve dos metroviários. O ataque aconteceu porque a estação, um dos principais acessos à Arena Corinthians, estádio de abertura do Mundial, estava fechada. A presidente, porém, evitou fazer mais comentários sobre medidas que o governo poderia adotar para evitar violência. 

Na companhia de Dilma, o ministro-chefe do Gabinete da Segurança Institucional, general José Elito Siqueira, também se esquivou da polêmica. “Quem pode dizer realmente o que aconteceu são as autoridades, sejam da Segurança Pública, sejam da Defesa, sejam do governo do Estado. Aqui, não seria ético dar uma opinião.” 

Questionado sobre os protestos dos metroviários durante visita ao Centro de Gerenciamento e Monitoramento da Força Nacional, em Brasília, Cardozo foi enfático. “Todos eles sabem a importância do momento que o Brasil está vivendo. É normal que se aproveitem disso para conseguir ganhos. Porém, todos queremos ter orgulho do nosso País. Quem for brasileiro vai torcer para ganharmos a Copa dentro de campo e mostrar que somos capazes também fora das quatro linhas.”

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Passageiros tentaram bloquear a passagem de trens da CPTM e a estação ficou fechada até as 7h40

O ministro da Justiça afirmou que as manifestações são legítimas e todos têm o direito de protestar assegurado pela Constituição Federal. Mas, no momento certo, ele disse acreditar que a população vai entender que é necessário projetar uma boa imagem do País para fora. “Cabe a nós assegurar para aqueles que estiverem aqui que temos segurança pública e condições de garantir que a lei seja cumprida. Todos podem ter a certeza de que teremos paz durante o Mundial”, disse.

As Forças Armadas atuarão na prevenção de tumultos, reiterou o ministro da Justiça. O trabalho, segundo ele, será integrado com os Estados. “Estamos mantendo o diálogo com todos os comandantes das Polícias Militares para afinar os princípios que vão nortear as ações durante a Copa. Fizemos um pacto pelo uso da força proporcional e para coibir situações que extrapolem o previsto em lei.”

Pedido de paz. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, pediu ontem uma “trégua cívica”, na próxima semana, para “despolitizar” a Copa. O comentário foi feito ao ser perguntado em São Paulo se a onda de greves poderia afetar o evento. 

“Espero sinceramente que, na virada da semana que vem, a gente tenha no País uma espécie de ‘trégua cívica’ no sentido de que todo o mundo entenda a importância de acolher os turistas”, disse o ministro. 

Carvalho afirmou que não acredita que, da forma com que as paralisações ocorreram, possa haver algum prejuízo para a imagem do País. “Acho que agora a gente espera que a maturidade dos trabalhadores prevaleça”, disse o ministro. 

Sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e grupos que possam organizar protestos na capital paulista, Carvalho disse que o governo espera que “haja bom senso”. “Nós seguiremos o diálogo com o movimento. O que nós não vamos tolerar é violência na rua.”