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Diário Oficial de SP recomenda que ciclistas não devem pedalar na capital

Órgão de imprensa editado pelo governo estadual destacou na primeira página reportagem intitulada 'Mais ciclistas, mais acidentes'

Nataly Costa e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2012 | 15h52

O Diário Oficial do Estado (DOE), órgão de imprensa editado pelo governo estadual de São Paulo, recomendou que ciclistas não usem a bicicleta para se locomover no trânsito da capital paulista. A recomendação faz parte de reportagem que saiu hoje com destaque na primeira página da publicação, intitulada "Mais ciclistas, mais acidentes". Segundo o texto, 3,4 mil ciclistas foram internados nos hospitais estaduais no ano passado, o que gerou custo de R$ 3,2 milhões ao governo.

A reportagem ouviu apenas um especialista, o chefe do grupo de trauma ortopédico do Hospital das Clínicas (HC), Jorge dos Santos Silva. O médico afirmou que não é recomendado que ciclistas pedalem no trânsito de São Paulo. Pedalar, segundo ele, "é uma opção segura de lazer em cidades menores, parques públicos e em ciclovias (sic) instaladas na capital, aos domingos." A recomendação também aparece com destaque na legenda da foto, que mostra um ciclista pedalando em uma rua paulistana.

De acordo com o médico, nesses seis primeiros meses de 2012, houve quase tantas internações de ciclistas acidentados no HC do que em todo o ano passado inteiro, o que seria um reflexo do aumento no número de bicicletas no trânsito da cidade. Outra parte da matéria traz recomendações atribuídas à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para que o leitor "não seja a próxima vítima". Uma delas diz que "o tráfego em avenidas, apesar de permitido, é prática pouco segura para o ciclista."

A bicicleta é um dos veículos autorizados a circular sobre as vias urbanas e rurais pelo Código de Trânsito Brasileiro. A legislação federal diz que os ciclistas têm preferência sobre os veículos automotores e estipula dois tipos de multas diferentes para os motoristas que não respeitam a bicicleta: deixar de guardar a distância lateral de 1,5 m ao passar ou ultrapassar bicicleta (infração média) e deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito ao ultrapassar ciclista (infração grave).

Essa mesma lei diz que é dever dos órgãos do poder Executivo, incluindo os estaduais, planejar e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas.

Bandeirantes.  O governo estadual enviou uma nota no início da noite e informou que é "absolutamente favorável à ampliação do uso de bicicletas na capital e em todo o Estado, não só para lazer como também para trabalho" e que a opinião do ortopedista não reflete o que pensa a administração. Segundo a nota, prova disso são os esforços "já realizados ou em curso para aprimorar a oferta deste tipo de transporte à população" de São Paulo.

Entre os exemplos citados pelo governo, estão a ampliação da ciclovia do Rio Pinheiros, inaugurada em fevereiro, e a operação de ciclovias e bicicletários ao longo das linhas de metrô e de trem. Além disso, o governo afirmou que vai construir uma ciclovia de 13 quilômetros até 2014 que vai ligar oito municípios da Região Metropolitana de São Paulo.

 

Atualizado às 20h25 para acréscimo de informação

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