Dez mil médicos cruzaram os braços em São Paulo, diz associação

Estado ligou para oito clínicas na capital e somente uma afirmou ter um profissional paralisado. Médicos protestam contra 'honorários indignos'

Marina Azaredo, O Estado de S. Paulo

07 Abril 2014 | 19h31

SÃO PAULO - A Associação Paulista de Medicina (APM) estima que aproximadamente 50% dos médicos que trabalham com saúde suplementar e aceitam planos de saúde deixaram de fazer consultas nesta segunda-feira, 7. A paralisação foi convocada pela APM e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) em protesto aos "honorários indignos, contratos sem índice de reajuste e periodicidade definidos e interferência na conduta, por meio de glosas e negativas de cobertura".

"Fizemos uma pesquisa informal e acreditamos que 50% dos profissionais deixaram de atender às consultas, o que significa 10 mil profissionais. Mas é claro que atendimentos de pós-operatório, doenças mais graves ou pacientes que tinham de ser atendidos nesta segunda-feira foram feitos. E as consultas particulares também não foram canceladas", afirmou Florisval Meinão, presidente da APM. O Estado ligou para oito clínicas da capital paulista e somente uma afirmou ter um profissional paralisado.

De acordo com Meinão, muitos médicos remarcaram as consultas ou não chegaram nem mesmo a abrir a agenda nesta segunda. "O objetivo não é criar dificuldades para os pacientes, mas sim chamar a atenção para as dificuldades por que eles estão passando por conta da defasagem no valor das consultas e dos procedimentos", afirma. Eles reivindicam o valor de R$ 100 para consultas e o reajuste dos procedimentos. "Embora os planos paguem pouco pelas consultas, pagam menos ainda pelos procedimentos."

Em nota, a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que representa empresas como a Amil e a Care Plus, alegou que "os reajustes dos honorários médicos variaram entre 10% e 12% em 2013, acima portanto dos 5,9% da inflação no período, medida pelo IPCA." A associação, no entanto, não deu uma estimativa do número de médicos que aderiram à paralisação.

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