Detida no litoral mulher que prometia amor

Uma mulher que prometia soluções para qualquer problema amoroso foi presa em flagrante na noite de segunda-feira em Praia Grande, na Baixada Santista. A doméstica Helena dos Santos Trindade, de 53 anos, e seu companheiro, Ben Hur Vital da Silva, de 48, são acusados de extorsão e corrupção de menores.

Rejane Lima /SANTOS, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2010 | 00h00

A Polícia Civil chegou até a dupla após dez dias de investigação iniciada a partir da denúncia de um antigo cliente de Helena, que a procurou após ler o anúncio "Cigana Potira - Trago Seu Amor em Uma Hora", publicado nos classificados do jornal A Tribuna, de Santos.

De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado no 1.º Distrito Policial de Praia Grande, a vítima, um empresário de 57 anos do ramo da construção civil, contratou os serviços espirituais de Helena há cinco meses para reatar um relacionamento extraconjugal. Entretanto, ao se dar conta de que os serviços não davam resultado, ele suspendeu o pagamento de Helena.

A partir daí, a indiciada passou a ameaçá-lo, afirmando que iria até a casa da vítima e contaria tudo à sua família. Casado há 36 anos, pai de sete filhos e avô de oito netos, o empresário cedeu às ameaças. Mas logo percebeu que a extorsão não teria fim e resolveu procurar a polícia, mesmo temendo que seu segredo fosse revelado.

A vítima calcula que tenha tido prejuízo de cerca de R$ 70 mil, somando os pagamentos em dinheiro e os objetos que teve de comprar para a "cigana" em troca de seu silêncio, entre eles um computador, telefones, joias e uma câmera fotográfica.

Com o flagrante combinado, Silva foi detido em frente ao edifício onde o casal morava até dois meses atrás, no bairro do Boqueirão. Ele foi preso ao pegar o pacote com os R$ 400 que o empresário havia deixado na portaria.

A dupla costumava receber as quantias acompanhada de crianças da família - no momento do flagrante, Silva estava com um menino de 12 anos - e por isso ambos também vão responder pelo crime de corrupção de menores. Silva foi detido pela equipe chefiada pelo investigador Marcelo Canuto de Souza que, em seguida, foi até a casa de Helena e a prendeu.

Apesar da pele clara, a mulher dizia-se índia e afirmava receber espíritos. Helena morou mais de três anos em um apartamento alugado no edifício onde houve o flagrante. Segundo vizinhos, cobradores iam constantemente lá a fim de receber pagamento de pendências financeiras.

Silva foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Praia Grande e Helena, à cadeia feminina de Santos.

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