Desafio é fazer policial seguir recomendações

Para lidar com uma cultura de rua que valoriza a violência e ajudar a suportar o estresse cotidiano, o Método Giraldi de Tiro Defensivo, criado em 1998 pelo coronel da reserva Nilson Giraldi, usa frases diretas e incisivas. "Policial, cuidado: 70% dos integrantes da sociedade não acreditam mais no Estado e na Justiça. Querem que você mate; 60% querem que você pratique tortura contra pessoas suspeitas, desde que não sejam parentes seus. Não se deixe contaminar. Na hora do seu julgamento, você estará sozinho no banco dos réus. E quem o estimulou estará em casa tranquilo. Nem testemunha sua aceitará ser."

O Estado de S.Paulo

22 Julho 2012 | 03h02

Além do diálogo com o policial que atua nas ruas, o Método Giraldi traz campos próprios de treinamento, que simulam o estresse cotidiano. "Ele é campeão mundial de tiros e um oficial estilo 'paizão', protetor. Assim surgiu o método que hoje é replicado em outros países e Estados", diz o deputado major Olímpio, ex-instrutor do método.

O desafio, como mostram os números elevados de casos de resistências seguidas de mortes, é fazer policiais respeitarem o método na hora H do confronto. As apostilas do coronel, com suas frases claras e diretas para o policial assassino, tentam conseguir essa façanha. "Policial, cuidado! Não se precipite. A precipitação está matando nossos policiais, tirando a liberdade dos nossos policiais. Sua família o espera; o necrotério também; a prisão também. A escolha é sua! Policial, cuidado! Não pratique a 'valentia perigosa'. É loteria. Poderá transformá-lo num herói, ou num defunto, ou num presidiário. E tudo que é loteria, quando está em jogo a vida humana, não deve ser tentado." / B.P.M.

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