Desafio agora é cuidar do vício mais severo

A queda no número de fumantes mostra a efetividade das medidas restritivas ao tabaco implementadas nos últimos anos, mas expõe um gargalo do sistema público de saúde: a assistência falha aos fumantes com alto grau de dependência.

ANÁLISE: Jaqueline Issa, cardiologista e diretora do programa de tratamento do tabagismo do Incor, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2013 | 02h03

O veto às propagandas, a restrição do fumo em locais públicos e o aumento do preço do cigarro foram capazes de sensibilizar os fumantes com nível baixo ou médio de dependência. Os demais não foram atingidos por essas medidas porque não conseguem controlar o vício.

Não é uma questão de força de vontade, é preciso entender que essas pessoas são doentes e precisam de um atendimento especializado, o que não é oferecido hoje.

Nestes casos, é necessário o uso de medicamentos, mas nem sempre o melhor está disponível na rede pública. Não devemos esquecer ainda que a maioria dos fumantes não busca os serviços de saúde. Nesse ponto, entra a importância da atenção básica. Ela tem de atuar na identificação desses fumantes e no encaminhamento deles para os serviços especializados.

As políticas de prevenção também devem ser melhoradas. A lei federal que proíbe o fumo em espaços públicos foi aprovada há quase dois anos, mas ainda não foi regulamentada, e só está valendo nos Estados ou cidades que aprovaram leis próprias. A situação faz o País viver um cenário não democrático. Se a lei federal já estivesse regulamentada, a redução seria ainda maior.

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