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Deputados e vereadores defendem veterinário que atende de graça

Conselho Regional, porém, mantém proibição e ameaça fechar a clínica do profissional, que já estuda montar uma ONG

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Rene Moreira,
Especial para o Estado

04 Fevereiro 2016 | 11h55

FRANCA - O médico veterinário Ricardo Fehr Camargo ganhou apoio dos políticos e de milhares de pessoas na internet. Ainda assim continua proibido de atender animais gratuitamente em sua clínica na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) divulgou nota para informar que mantém a proibição, que estaria prevista no Código de Ética da categoria.

O veterinário também pode ter o registro cassado e, para piorar, o órgão ameaça agora fechar sua clínica em 30 dias, porque ela estaria irregular. O assunto virou polêmica após o profissional divulgar um vídeo no qual um fiscal do CRMV vai a seu local de trabalho e informa sobre a proibição de atender de graça. Milhões de pessoas já viram a filmagem e até uma página de defesa do trabalho foi criada nas redes sociais.

Na Câmara Municipal de São Carlos foi aprovada por unanimidade na terça-feira, 2, uma moção de apoio a Fehr, que ao lado de sua mulher - também veterinária -, atendia de graça aos sábados os animais de pessoas carentes. "O serviço prestado é de extrema importância para o município", afirmou o vereador Ronaldo Lopes (PT), autor da propositura.

Nesta quarta-feira, 3, foi a vez de a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) se colocar a favor do veterinário. O deputado estadual Cauê Macris (PSDB) pediu a convocação do presidente do CRVM, Mario Eduardo Pulga, para dar explicações sobre o ocorrido. "Proibir aqueles que querem ajudar os cães, de maneira gratuita, nos causa estranheza", disse o parlamentar.

 

Após a proibição, o veterinário reclamou, e 60 mil pessoas já constam em um abaixo-assinado online em seu favor. "Eu acho que quem tem que saber se é um serviço de utilidade pública é a população", reclamou o profissional.

Sem volta. Mesmo diante da grande repercussão do caso, o conselho confirmou ter fiscalizado a clínica e que não pretende rever sua posição. De acordo com o órgão, o veterinário deve "seguir toda a legislação pertinente à atuação profissional", que proíbe "a prestação e divulgação de serviços gratuitos".

O CRMV alegou ainda que o estabelecimento estava funcionando sem registro no órgão e que ações de utilidade pública podem ser realizadas somente por organizações não governamentais (ONGs) ou instituições públicas. "Lamentamos que profissionais que estão no mercado desconheçam a legislação."

Saída. Mesmo com a petição na internet que cobra mudanças, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) - maior órgão da categoria no País - informou que as normas do Conselho de Ética não deverão sofrer alteração. De acordo com a entidade, o abaixo-assinado não terá efeito e nem será levado em consideração.

Como alternativa, Fehr já iniciou os preparativos para abrir uma ONG para poder realizar os atendimentos. A instituição está sendo criada com a ajuda de apoiadores, e a expectativa é de que passe a operar nos próximos meses.

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