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Delegado só deve ouvir estoquista baleado por PMs depois de quinta-feira

Laura Maia de Castro - O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2014 | 19h 59

Fabrício Chaves teve alta da Santa Casa nessa segunda-feira, 10, e se recupera em casa

SÃO PAULO - O estoquista Fabrício Chaves, de 22 anos, que foi baleado na região central de São Paulo por PMs na noite do protesto Não Vai Ter Copa, em 25 de janeiro, deverá ser ouvido pela polícia depois que três PMs que participaram da ocorrência prestarem depoimento. A informação foi dada na tarde desta terça-feira, 11, pelo delegado José Gonzada Pereira da Silva Marques, titular do 4º DP (Consolação). Chaves teve alta nesta segunda-feira, 10, depois de ficar 16 dias internado na Santa Casa São Paulo.

Chaves prestou depoimento à Polícia Civil quando ainda estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Santa Casa. Na ocasião, ele afirmou que sacou um estilete depois que foi atingido por um tiro. O fato de a polícia ouvi-lo na UTI foi criticado pelo defensor Carlos Weis e pela família do estoquista, que alegaram que ele estava sob efeito de medicamentos. O relato de Chaves confronta com a versão da Polícia Militar de que os agentes teriam agido em legítima defesa após serem ameaçados pelo manifestante.

De acordo com Secretaria da Segurança Pública, os PMs envolvidos na ocorrência estão afastados de novas operações até que o Inquérito Policial Militar (IPM) seja concluído pelo Comando de Policiamento de Área Metropolitano 1 (Centro).

Recuperação. De acordo com Weis, o estoquista está "mais contente" por estar em casa, mas continua abatido. "Ele ainda está debilitado. Tem dificuldade para respirar porque o pulmão direito foi afetado pela hemorragia em decorrência do tiro. Além disso, o braço direito não se movimenta."

Segundo o defensor, Chaves viu o vídeo do momento em que foi atingido pelos disparos pela primeira vez nesta terça-feira. Weis, entretanto, não quis comentar a reação do estoquista.