Delegado do caso Abadía e mais 8 policiais são demitidos

Agentes eram acusados de sequestrar, roubar e torturar traficantes de Campinas; os acusados negam os crimes

MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2012 | 03h07

O delegado Pedro Luiz Pórrio, seis investigadores e dois agentes foram demitidos da Polícia Civil no sábado. Homem conhecido na instituição e prestigiado pelos antigos chefes, Pórrio é um dos policiais civis acusados de envolvimento em achaques a traficantes e pessoas ligadas a Juan Carlos Ramirez Abadía.

Ele trabalhava no Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) quando teriam ocorridos as extorsões. Mas o caso que provocou a sua demissão e a dos demais policiais ocorreu pouco depois de ele deixar o Denarc, em 2007. O ato do governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi publicada no Diário Oficial do sábado.

Pórrio e os outros policiais são acusados de achacar traficantes de drogas em Campinas. Os policiais chefiados por Pórrio, segundo a acusação, foram flagrados em interceptações telefônicas da Operação Veneza sequestrando, roubando e torturando suas vítimas, os bandidos.

Entre elas estavam os traficantes José Pereira e Wilson Balbino da Cruz, o JJ ou Japonês. Criminosos viraram "clientes" dos corruptos, ou seja, passaram a ser alvo de seguidos achaques. Japonês era foragido. Policiais teriam pedido R$ 100 mil para soltá-lo. Após usar sacos plásticos na cabeça de Cruz - como o capitão Nascimento no filme Tropa de Elite -, os policiais teriam obtido R$ 35 mil e um Gol para soltar o traficante.

Na época das acusações, policiais trabalhavam na Delegacia Seccional de Osasco, na Grande São Paulo. A investigação foi feita pela Corregedoria da Polícia Civil, pela PF e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual.

Em uma ligação, a mulher do bandido diz a um policial que não tem mais dinheiro. Em outra, um investigador chama uma pessoa de chefe e também fala sobre dinheiro. O autor do telefonema seria o investigador Antonio Cabalero Cursi, que trabalhou com Pórrio no Denarc.

Além de Pórrio e Cursi, também foram demitidos Francisco Pessoa, Luis de Oliveira, Pablo Pereira Xavier, Regina dos Santos e Sandro dos Santos e os agentes Daniel Dutra e Eduardo Benevides. Todos alegam inocência.

O processo administrativo do caso Abadía em que Pórrio é acusado ainda não teve decisão final. Policiais do Denarc teriam disputado vítimas ligadas a Abadía. Uma delas disse que policiais que o sequestraram estavam indignados com colegas pois haviam "levado uma bica" - sido passados para trás em outro achaque. Assustado com a virulência dos policiais, o colombiano Henry Edval Lagos, o Patcho, resolveu deixar o Brasil. Ele foi sequestrado e pagou US$ 280 mil. Ao Estado, Pórrio diz que "com certeza vai recorrer".

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