Delegacias fazem, em média, 3 prisões a cada 100 crimes violentos na capital

Levantamento mostra que metade dos 93 distritos policiais tem taxa de detenção, feita com mandado judicial após investigação, menor ainda do que a média da cidade; entre eles, estão DPs de áreas nobres, como o do Morumbi e o dos Jardins

Artur Rodrigues, Luciano Bottini Filho e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2013 | 23h00

Os 93 distritos policiais de São Paulo registraram nos primeiros quatro meses deste ano 55,3 mil crimes violentos. Mas apenas 1,7 mil prisões com mandados judiciais foram feitas por essas delegacias após investigações – uma média de 3 detenções a cada 100 delitos graves.

Os dados são inéditos e da própria Secretaria de Segurança Pública (SSP), levando em conta o número total de prisões efetuadas pelas delegacias com mandado judicial, um meio de medir a produtividade da investigação da Polícia Civil. Prisões em flagrante, feitas predominantemente pela Polícia Militar, e as que são realizadas pelas delegacias especializadas não entraram na conta. Quatro tipos de crime foram considerados violentos para efeito de cálculo: homicídio, estupro, roubo e roubo de veículos.

No total, 55 distritos policiais têm taxa de prisão menor que a média da cidade. Delegacias de bairros nobres, como Morumbi (34.º DP) e Jardins (78.º DP), estão na lista das que menos prendem. Distrito com o maior número de crimes violentos neste ano, o Capão Redondo (47.º DP) efetuou apenas 29 prisões desde janeiro, enquanto 1.512 casos graves foram registrados.

Do outro lado da tabela estão os 38 distritos que prendem acima da média e, mesmo assim, deixam a maioria dos criminosos impunes. O líder é o do Bom Retiro (2.º DP), com média de 13 prisões para cada 100 delitos violentos registrados.

"Nossas instituições policiais têm problemas sérios para resolver crimes de autoria desconhecida. Principalmente homicídios, a maioria vira ‘cold case’", disse o sociólogo Luiz Antonio Francisco de Souza, especialista em Segurança Pública.

Treinamento. Coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, Neudival Mascarenhas Filho cobra melhor capacitação dos policiais. "É preciso treinar os policiais e ter equipamentos modernos. Tem de investir na polícia científica. É óbvia essa deficiência", afirmou.

Para o ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Ophir Cavalcante, é necessário maior controle do Ministério Público sobre a atividade policial. "Se não fizermos uma coordenação e uma inteligência no nível nacional, ficaremos para trás." Extraoficialmente, policiais reclamam de falta de pessoal. O déficit acontece principalmente em relação a investigadores e escrivães.

Investimento. A Assessoria de Imprensa da SSP informou que há duas semanas o governo autorizou concurso para a contratação de mais de 2,8 mil policiais, entre investigadores, escrivães e delegados, além da criação de 1.865 novos cargos na Polícia Científica.

Desde 2 de abril, segundo a SSP, os 93 distritos policiais receberam reforços e passaram a contar com quatro equipes de investigação.

"A meta é fazer com que os policiais atuem na comunidade do distrito, para que os mesmos policiais que atendam as vítimas investiguem os casos, o que visa a dar mais eficiência à apuração dos crimes", afirma nota. A secretaria informa ainda que "parte expressiva das prisões em flagrante também é fruto de investigação".

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