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Delegacia tenta rastrear internautas que incentivam o abuso de mulheres no transporte público

Marcelo Godoy - O Estado de S. Paulo

18 Março 2014 | 14h 43

Unidade responsável por investigações no Metrô e na CPTM trabalha para identificar pessoas que exaltam a prática nas redes sociais

SÃO PAULO - A Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), responsável por investigações no Metrô e nos trens da Grande São Paulo, está rastreando as identidades eletrônicas - IPs - dos computadores de pessoas que administram sites de incentivo ao assédio sexual no transporte público. Recentemente, páginas como "Encoxadores", no Facebook, com mais de 12 mil seguidores, vêm atraindo a atenção da polícia, que pretende identificar e prender os responsáveis por criar os sites ou publicar neles relatos se pessoais de abuso de mulheres.

Por meio do levantamento dos IPs (sigla para Internet Protocol, ou Protocolo da Internet), é possível identificar de que lugar o usuário está acessando a rede.

Na tarde desta segunda-feira, 17, o universitário Adilton Aquino dos Santos, de 24 anos, foi preso acusado de molestar uma passageira que viajava em um trem da Linha 7-Rubi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Ele foi enquadrado por estupro.

A mulher teve o braço segurado pelo acusado, que tentou ainda arrancar a calça da vítima. Outros passageiros do trem espancaram o acusado. As agressões só pararam quando seguranças interferiram. Ao Estado, o jovem confessou o ataque. "Infelizmente, foi um fato. Estava muito apertado (no trem) e eu não aguentei."

Santos acessava páginas em redes sociais que estimulavam ataques a mulheres dentro da rede de transportes, segundo o Delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Divisão Especial de Atendimento ao Turista (Deatur).

A vítima, uma supervisora de 30 anos, foi levada à Santa Casa de Misericórdia, onde foi constatada uma luxação no braço. Agentes da Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom) e da Polícia Ferroviária (segurança da CPTM) ainda iriam encaminhá-la ao Hospital Pérola Byington, na zona sul, especializado no atendimento a mulheres vítimas de violência sexual.

Ocorrências. A Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom) já contabiliza 15 casos semelhantes apenas neste ano. Este caso foi o único registrado como estupro - os demais aparecem como importunação ofensiva.

Santos, desempregado e morador de Guaianases, não tem passagens pela polícia e confessou o ataque à supervisora. "Infelizmente foi um fato que aconteceu. Estava muito apertado no trem e eu não aguentei." O homem afirmou que nunca havia feito isso antes. COLABOROU FELIPE TAU, O ESTADO DE S. PAULO

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