Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Decretada prisão de suspeito de participar de assalto com dois mortos em pizzaria

Homem de 19 anos detido na Favela do Agreste, na zona norte, nega participação no crime; dono do estabelecimento e sobrinho foram mortos a tiros no domingo

Tiago Dantas e Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

11 Junho 2013 | 09h33

SÃO PAULO -  A Justiça decretou a prisão temporária por 30 dias de Alef Alves Ferreira, de 19 anos, acusado de participar de um roubo à pizzaria na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte, que terminou com dois mortos no domingo, 9. Segundo a polícia, ele foi reconhecido por três testemunhas.

Ferreira nega a participação no crime. Ao menos dez familiares e amigos do suspeito passaram a manhã em frente ao 40º DP (Limão) para protestar contra a prisão. Eles dizem que estavam com Ferreira por volta das 23h20 de domingo, horário do crime. Ele foi preso na madrugada desta terça-feira, dia 11, na Favela do Agreste, também zona norte, depois que a polícia recebeu uma denúncia anônima de uma pessoa que reconheceu o acusado por meio do retrato falado. A polícia ainda procura o outro suspeito, que atirou nas vítimas.

O dono da pizzaria, Reginaldo Vizani, de 51 anos, e o sobrinho dele, Felipe Vizani, de 19, foram enterrados na manhã desta terça-feira no Cemitério da Vila Nova Cachoeirinha. 

Crime. "Não tem nenhuma explicação para o que esses ladrões fizeram", disse o comerciante Richard Vizani, filho de Reginaldo. "Não precisa fazer isso com alguém que está ali trabalhando e não te fez nada." Richard estava no carro quando os assaltantes chegaram. Ao notar o roubo, entrou no veículo para procurar uma base da PM. "Quando voltei com a viatura, meu pai e meu primo já estavam mortos."

O crime foi gravado pelas câmeras de segurança da pizzaria, instaladas há um ano para tentar coibir os assaltos frequentes. Por volta das 23 horas, dois ladrões renderam um casal que conversava na Rua Quartim Barbosa. Eles ameaçaram matar os reféns caso Reginaldo não abrisse a porta, que precisa ser acionada por dentro – tecnologia instalada por causa dos roubos.

Imagens mostram um homem de blusa azul com capuz entrando no salão com duas armas. Ele vai até o balcão e empurra Reginaldo com os revólveres. Imediatamente, o dono da pizzaria joga a carteira sobre o balcão. Ao pegá-la, o assaltante dispara, aparentemente sem querer. Enquanto isso, o outro bandido, desarmado, tira o dinheiro do caixa. Felipe e o pizzaiolo Antônio José da Silva tentam segurá-lo. O primeiro assaltante, que já estava na porta, volta e atira cinco vezes. As vítimas são levadas para o hospital do bairro. Felipe não resiste. Os ladrões fugiram levando cerca de R$ 900.

De novo. Reginaldo mantinha havia 13 anos a pizzaria no bairro, onde também morava com a família. Duas semanas atrás, a casa dele havia sido roubada. Reinaldo e a família ficaram cerca de uma hora e meia trancados, enquanto os assaltantes levavam o equivalente a R$ 20 mil em dinheiro e equipamentos eletrônicos. "Nesses 13 anos, perdi a conta de quantas vezes fomos assaltados, sempre com uma arma na cabeça. Mas nunca achei que ia perder meu pai em um roubo", disse Richard.

O número de latrocínios na capital entre janeiro e abril é 74,2% maior do que no mesmo período de 2012. Houve 54 casos neste ano contra 31 no primeiro quadrimestre de 2012, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.

Mais conteúdo sobre:
Arrastão assaltos SP Segurança

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.