'Debate vai garantir que a qualidade será preservada'

Expansão de 143 hectares da Unicamp abre espaço para projetos de hospital, centro de convenções e ginásio de esportes

Entrevista com

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2014 | 02h03

Um hospital, um centro de convenções para 3 mil pessoas e um ginásio de esportes. Esses são os primeiros projetos para ocupar a área comprada pela Unicamp ao lado do câmpus do bairro Barão Geraldo, em Campinas. Com 143 hectares, a gleba da Fazenda Argentina custou R$ 157 milhões. Nos próximos seis meses, a Unicamp vai discutir um novo Plano Diretor para decidir a ocupação. "A área do Parque Tecnológico também deverá ser beneficiada", disse o reitor, José Tadeu Jorge.

Discute-se a construção de um hospital?

A nova área faz divisa com o setor de saúde, então nem haveria descontinuidade. Há as áreas que são entendidas como prioridades com deficiências no atendimento à saúde em Campinas. São câncer, trauma e pronto-atendimento.

Já se pode dizer que haverá um hospital novo ali?

Ainda não porque não temos o dinheiro para construir, mas certamente é uma proposta que virá das áreas que tratam de saúde na universidade.

E o que mais?

A universidade acalenta projeto de ginásio. E há o projeto de um centro de convenções. Campinas não tem um centro de convenções decente, para reunir 3 mil pessoas, salas simultâneas para 200 pessoas. E a universidade é pródiga em eventos, congressos. A limitação de espaço é grande para praticamente todas as faculdades e institutos. Mas não podemos pensar só em subir um prédio de dez andares. É preciso ver a mobilidade.

Como expandir a universidade sem prejudicar a qualidade?

A universidade tem mecanismos de base acadêmica muito forte. Por exemplo, uma proposta que tenha nascido no Instituto de Física, pesquisa de raios cósmicos, será avaliada por representantes de toda a universidade e confrontada com prioridades de outras áreas. Aí vem uma Comissão do Planejamento Estratégico, do Conselho Universitário. Nesse Conselho, se faz a definição da prioridade.

Essa ocupação da área vai provocar um intenso debate na comunidade.

Sim. E esses mecanismos são consagrados na universidade. Isso é que vai garantir que a qualidade será preservada. O olhar do planejamento estratégico enxerga o projeto pelo conceito que a Unicamp adota: formação de recursos humanos é o principal. Formar estudantes qualificados, preparados para o exercício profissional. Para fazer isso, é preciso também de outras duas coisas. A pesquisa, em quantidade e qualidade, para gerar conhecimento e qualificar o ensino. A segunda coisa é o aspecto das relações com a sociedade. Essas tramitações garantem que a qualidade geral do sistema está sendo garantida.

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