De olho em números de SP, 106 cidades também querem 'bico oficial' de PMs

Adotada há dois anos na capital, Operação Delegada reduziu em 60% casos de policiais mortos e criminalidade em áreas comerciais

ADRIANA FERRAZ, BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2011 | 03h03

Mais de uma centena de municípios do Estado quer adotar o bico oficial de policiais militares, a chamada Operação Delegada. De olhos nos resultados obtidos em São Paulo e Mogi das Cruzes, cidades do interior e do litoral acreditam que pagar um salário extra para PMs e mantê-los mais tempo fardados nas ruas pode diminuir a criminalidade, além de combater o comércio clandestino de camelôs.

Desde que foi adotada há dois anos na capital, a PM comemora a diminuição de 60% dos casos de policiais mortos - no bico clandestino, o policial ficava mais exposto a bandidos. Também informa que o patrulhamento extra nas regiões de comércio ambulante reduziu em 60% a criminalidade nessas áreas.

Animadas com esses resultados, 26 cidades aprovaram lei que autoriza a prefeitura a celebrar convênios com a PM para a operação. Municípios como Sorocaba, São José dos Campos e Presidente Prudente procuraram agora assinar o convênio para começar o programa. Outras duas cidades seguem o mesmo caminho e mais 78 demonstraram ao Comando da PM interesse no em ter a operação - na Grande São Paulo, estão neste grupo Diadema, Guarulhos e Santo André.

Investimentos. O dinheiro envolvido na Operação Delegada demonstra sua importância. Em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) destinou R$ 150 milhões ao bico oficial no orçamento de 2012. "A Polícia Militar é a melhor parceira da nossa administração", elogiou o prefeito.

A aproximação entre o coronel Alvaro Batista Camilo, comandante-geral da PM, e o prefeito é vista na polícia como indício do possível futuro político do oficial. Só nas subprefeituras Kassab emprega 28 coronéis da PM, entre eles ex-assessores do comandante. Kassab já disse que Camilo é um conselheiro, a quem pede indicações.

Região Metropolitana. Mogi das Cruzes foi a primeira cidade da Grande São Paulo a seguir a política adotada na capital para combater o comércio ambulante irregular.

Em 1.º de março, a prefeitura firmou convênio com a PM para a "atividade delegada", que começou em abril, com 60 policiais.

Segundo o secretário de Segurança do município, Eli Nepomuceno, o resultado é positivo. "Tínhamos dificuldade em conter essa atividade irregular com a Guarda Municipal. Muitos ambulantes não respeitavam os guardas e acabam entrando em conflito. Com a PM isso não existe. A presença física do policial fardado impõe mais respeito."

A prefeitura reconhece que o comércio irregular nas ruas da cidade não foi 100% eliminado, mas está sob controle. A atividade delegada em Mogi paga R$ 18,07 por hora para oficiais e R$ 13,55, para soldados e subtenentes. / COLABORARAM FELIPE FRAZÃO e MARCELO GODOY

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