De cada dez motos, só 4 são multadas

Proporção muito menor que a de carros e caminhões é explicada pela dificuldade em flagrar os motoqueiros infratores

Renato Machado, Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2010 | 00h00

'Fuga'. Motociclista esconde placa na Avenida 23 de Maio, altura do Viaduto Tutoia: Prefeitura planeja restrição a motos na via  

 

Na cidade em que mais de um motociclista morre por dia, apenas quatro em cada dez foram multados em 2009. Para se ter uma ideia do quanto o índice é baixo, a proporção de autuações para os demais veículos (automóveis, ônibus, caminhões e utilitários) em São Paulo ficou acima de dez para dez. Os números não refletem um bom comportamento dos motociclistas no trânsito. Ao contrário: evidenciam dificuldades e falhas na fiscalização.

No ano passado, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aplicou 343 mil autuações para motos - a frota total é de 816 mil. A baixa quantidade de multas é ainda mais preocupante quando se leva em conta o número de pessoas mortas em acidentes com motos na cidade. Do total de 1.382 óbitos, 428 (30,9%) eram motociclistas.

A contratação de agentes da CET e a instalação de novos equipamentos de fiscalização eletrônica fez o número de multas para motos praticamente dobrar em 2009. Entretanto, houve um aumento geral no período e as aplicadas às motos continuaram sendo a menor parcela. Ao todo, foram 6,2 milhões - as das motos correspondem a 5,4%. Como metade dessas infrações é por excesso de velocidade, calcula-se que grande parte seja para motoboys que correm contra o relógio no trânsito - só na capital, o contingente é de 150 mil profissionais.

Invisíveis. "Muitos radares não conseguem detectar a passagem das motos", adverte o presidente do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Alfredo Peres da Silva. "Na maior parte das vias, dispositivos que registram a velocidade não são colocados de um lado a outro. Fica fácil escapar transitando entre faixas."

O Denatran encaminhou ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) propostas para tentar corrigir as distorções. A primeira é solicitar ao Inmetro - órgão que afere os radares - que acompanhe toda a instalação para verificar não só se o aparelho está funcionando bem como também o que registra. Além disso, está sendo estudada a obrigatoriedade de se colocar detectores de velocidade em toda a largura das ruas.

Outro ponto adverso na fiscalização é que radares de algumas cidades, principalmente São Paulo, estão direcionados para a frente dos veículos - motos só têm placas traseiras. "Isso vai acabar quando houver o chip veicular. Porque os dados dos veículos vão ser captados pelas antenas, independentemente da posição dos radares", diz Alfredo Peres da Silva. Mas esses equipamentos devem entrar em operação em até cinco anos.

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