Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

SP receberá dados de aplicativo para orientar blitze de fiscalização

Informações de locais e horários de viagens indicam à Prefeitura bairros onde há vida noturna mais intensa

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 12h09
Atualizado 05 Dezembro 2017 | 22h46

SÃO PAULO - A Prefeitura vai receber dados de aplicativos de transporte, por meio de uma parceria com o setor privado, para orientar ações de fiscalização e de segurança viária. A ideia é que esses dados, coletados de forma anônima de usuários, indiquem pontos de atração de grande público - informações que serão usadas para organizar blitze da lei seca, por exemplo.

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O aplicativo 99 divulgou nesta terça-feira, 5, uma parceria com a Vital Strategies, organização que atua para a redução de acidentes de trânsito, e vai compartilhar dados de suas viagens com ela. Já a Vital Strategies vai repassar as informações para a gestão João Doria (PSDB) - que desde janeiro atua em conjunto com a Polícia Militar nas ações Cidade Segura, de controle do consumo de álcool ao volante. 

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A parceria é uma das inovações debatida no 1.º Fórum de Mobilidade Urbana, evento promovido pelo Estado nesta terça. “A administração municipal vê com bons olhos o uso dessa tecnologia para ações de planejamento e operação do sistema de tráfego e trânsito”, disse, no evento, o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, Sérgio Avelleda.

“A Prefeitura de São Paulo considera que a incorporação de novas tecnologias, especialmente as derivadas dos dados espontaneamente criados pelos próprios usuários, pode e deve ser absorvida para contribuir na gestão do tráfego e na gestão do transporte público”, acrescentou Avelleda. 

Os aplicativos utilizam dados sobre locais de origem e destino de cada viagem, horários e tempo de duração dos trajetos. Assim podem indicar tendências ainda não captadas pelas autoridades. 

Head de Políticas Públicas da 99, Ana Guerrini explicou como, a partir das informações do app da empresa, é possível identificar locais da cidade em que a vida noturna está em crescimento, como o Baixo Pinheiros - área entre a Marginal do Pinheiros e o Largo da Batata, na zona oeste - e Santa Cecília, no centro, embora as ações de fiscalização do trânsito busquem áreas da Vila Madalena (zona oeste) e da Rua Augusta.

 

Fórum

O evento de mobilidade trouxe palestras de pesquisadores e de executivos das principais empresas do setor. Ainda tratando de inovação na mobilidade urbana, Paulo Cabral, executivo da empresa de navegação Waze, citou exemplos de como o compartilhamento de dados sobre congestionamentos está sendo utilizado para melhorar o trânsito. 

Ainda mencionou uma ação testada na zona portuária de Boston, nos Estados Unidos. “Com as informações de congestionamentos, eles reprogramaram os semáforos, e houve uma redução de 18% (na lentidão)”, explicou.

Pedro Palhares, diretor do app de transporte coletivo Moovit, citou outros usos possíveis. “Uma de nossas ferramentas permite fazer pesquisas sobre a qualidade do transporte entre usuários, o que poderia servir para o poder público fiscalizar contratos de concessão.” 

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