Crianças estudam em escola provisória há mais de 20 anos na cidade de SP

A cidade de São Paulo era administrada pela prefeita Luiza Erundina (1989-1992) quando a Escola Municipal Professora Thereza Maciel de Paula foi inaugurada provisoriamente no Jardim Santo André, na zona leste. Mais de 20 anos depois, as paredes de madeira, salas mal ventiladas e o pátio apertado continuam abrigando de modo precário 800 alunos do 1.º ao 5.º ano. "Não tem espaço para respirar, como alguém vai aprender?", pergunta Gilzete de Jesus, mãe de Sabrina, de 10 anos, matriculada no colégio.

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2013 | 02h02

A situação da unidade desafia as estatísticas. Oficialmente, a escola é um prédio com quadra e consta dos registrados do Ministério da Educação - apesar de estar interditada por ter sido dominada por usuários de drogas nas madrugadas. As condições materiais do colégio, no entanto, estão longe do ideal.

Integrantes da própria equipe docente reclamam da infraestrutura, apesar de não se identificarem por medo de represálias. "Trabalho em uma escola que é provisória há anos, é um absurdo. E temos uma demanda grande de alunos aqui", diz uma das professoras.

Um novo prédio da escola, a poucos metros do antigo, atenderá 1.562 alunos, mas as obras estão atrasadas há um ano. A primeira previsão de entrega era junho de 2012, depois veio a prorrogação para dezembro e mais tarde para março. Agora, a promessa fica para agosto.

Por causa da falta de espaço, a outra parte dos estudantes - 858 matriculados do 6.º ao 9.º ano - é atendida em uma creche vizinha conveniada.

A dona de casa Jôse Cristina Ferreira, de 33 anos, diz que sente "um aperto" toda vez que vai levar a filha Isadora, de 10, para a aula e vê a obra. "Bate uma indignação passar aqui e pensar em todos os benefícios que já podíamos ter", diz. Ela lembra que o filho mais velho, hoje com 14 anos, estudou na escola e era a mesma coisa. "Ele ficou marcado por ter estudado em lugar improvisado."

Argumentos. A Secretaria Municipal de Educação argumenta que a obra foi interrompida no ano passado, ainda na gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), por falta de repasse de recursos para a construtora. A pasta diz que havia pendências orçamentárias e as obras só puderam ser retomadas no dia 15 de março. O órgão garantiu que a escola atual foi reformada.

Já a equipe do ex-prefeito afirma que a nova escola foi entregue em obras para a gestão Fernando Haddad (PT) e a previsão de entrega era maio. "A solução para a construção da nova escola foi encontrada na gestão Kassab", diz, em nota. Na obra, funcionários confirmaram que a construção foi desacelerada no ano passado.

Estado. Apesar de ser o Estado mais rico do País, São Paulo tem 26 mil alunos em escolas provisórias, segundo dados do Censo Escolas de 2011 tabulados a pedido da reportagem pela Meritt, empresa de informação educacional.

Em Araçatuba, atrasos em obras de reforma de duas escolas fazem com que 788 alunos assistam às aulas nas dependências de uma igreja e em salas dentro de uma faculdade. Acesso a quadra, biblioteca e laboratórios não existe. "Acho que escola não é só juntar alunos", diz a mãe de uma das alunas, que pediu anonimato. A prefeitura informa que aulas do segundo semestre já se iniciarão nas dependências escolares.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.