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Edson Temoteo/Futura Press

Corregedoria apura participação de PMs na chacina de Guarulhos

Quatro pessoas foram mortas na frente de bar na Vila São Rafael; testemunhas forneceram indícios contra agentes

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O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2016 | 22h22

SÃO PAULO  - A Secretaria da Segurança Pública informou na noite desta terça-feira, 5, que a Corregedoria da Polícia Militar investiga a “eventual participação de policiais militares” na chacina que aconteceu em Guarulhos na madrugada do sábado passado. Quatro pessoas morreram e outra ficou ferida na primeira ocorrência dessa natureza em 2016.

A pasta acrescentou que a decisão foi tomada pela Corregedoria após a identificação de indícios nos depoimentos de testemunhas do crime ouvidas nesta terça. Não foi informado quantos policiais estão sob investigação, nem quais foram os indícios fornecidos. A apuração ocorre no âmbito de um Inquérito Policial Militar (IPM).

O crime aconteceu na madrugada de sábado, quando as vítimas estavam na frente do Bar do Bebeto, localizado na Rua Domingos de Abreu, periferia de Guarulhos. Por volta da meia-noite, criminosos encapuzados desembarcaram de um carro preto, de quatro portas, e atiraram nos rapazes. O bando escapou em seguida.

Adriano José Silva Araujo, de 28 anos, foi atingido por três tiros na cabeça e um no ombro. Leonardo José de Souza, de 23, também foi alvejado na cabeça. Segundo a Polícia Civil, os dois tinham passagem por furto e tráfico de drogas. Um homem de 29 anos, baleado na mão e no tórax, também tinha antecedente por tráfico. Ele foi submetido a cirurgia e permanece internado. O seu estado de saúde não foi divulgado pelo hospital.

Hermes Augusto Inácio Moreira, de 19, baleado nas costas e no abdome, e Francisco Fernando Pereira Caetano, de 23, atingido por um tiro na cabeça, não tinham antecedentes. Os dois foram socorridos por moradores locais, mas morreram antes de receber atendimento médico.

Aos policiais, uma testemunha relatou que "dois ou três homens" participaram do crime e que o veículo dos assassinos seria um Chevrolet Fox. Os investigadores buscam imagens de câmeras de segurança na região para confirmar. O bar não tem sistema de monitoramento.

Policial. Uma das hipóteses investigadas pela polícia é de que a chacina tenha ocorrido em vingança pela morte do cabo Felipe Rebelato Nocelli Ramalho, de 30 anos, que atuava no 5.º Batalhão. Ele foi morto no dia 30 de dezembro após intervir em um assalto a uma autopeça, a 1,5 quilômetro do bar onde aconteceu a chacina.

O PM estava de folga e havia ido na loja comprar um farol. Houve troca de tiros e Ramalho acabou baleado. Ferido, o assaltante foi socorrido por um comparsa. Depois, o suspeito foi encontrado em um hospital em Itaquaquecetuba.

Das vítimas, três tinham passagem por tráfico e, por isso, a Polícia Civil também investiga as hipóteses de dívida ou disputa de pontos de venda de droga.

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