Conta de água sobe com novo hidrômetro

Aparelho mede consumo que deixava de ser cobrado; aumento médio é de 20%

Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2010 | 00h00

A troca de hidrômetros - medidores de consumo de água - feita pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está fazendo a conta do consumidor aumentar. O novo aparelho combate a submedição, passagem de água que não era mensurada - ou seja, deixava de ser cobrada. Resultado: as contas têm subido em média 20%, mas há casos de aumento de até 90%.

Normalmente, em uma ligação residencial, o novo medidor registra cerca de 2 mil litros a mais por mês que antes não eram anotados, pois o equipamento não conseguia aferir a passagem do líquido.

A diferença em dinheiro de quem pagava pelo consumo de 14 metros cúbicos por mês - média na região metropolitana de São Paulo - e passou a pagar por 16 m³ após a troca é de R$ 8,52, segundo a Sabesp. Os 14 m³ são consumidos por uma família de quatro pessoas e custam R$ 44,52 por mês. Com o novo equipamento, a conta vai a R$ 53,04.

A Sabesp alega que os consumidores não têm prejuízo com o novo hidrômetro, pois o consumo sempre volta ao patamar anterior à troca depois que há reajuste de preço. "Ou o consumidor consegue economizar ou verifica que pode ter algum vazamento que é controlado após a mudança", explica Marcelo Fornaziero de Medeiros, gerente do Departamento de Desenvolvimento Operacional e de Medidores. "Ao adotar o uso racional da água, todos ganham, pois não há desperdício."

Mas nem todo cliente tem o acréscimo na conta do tamanho citado pelo gerente. "Antes eu pagava entre R$ 150 e R$ 160 por mês. Depois, ultrapassou R$ 350", reclama Aparecida Valester, que mora com Maria das Dores Silva Martins e outras duas pessoas em uma casa na Rua Astorga, Vila Guilhermina, zona leste da capital. O equipamento foi mudado em setembro de 2009. No mês passado, a conta chegou a R$ 390.

"Na quinta-feira passada um técnico da Sabesp fez testes em casa e não achou vazamento. Quero saber por que aumentou tanto o valor da conta. Quando fui reclamar, tinha muita gente falando do mesmo problema", afirma Aparecida.

Vazamento. Já Claudio Luiz da Silva e sua família, que mora na Rua Caiovás, em Perdizes, zona oeste, consumia mensalmente 16 m³ e passou para 25 m³ após a troca do equipamento. Mas ele conseguiu fazer o custo baixar para níveis similares ao anterior. "A gente resolveu ser mais rápido no banho. Estamos evitando desperdício e também havia um pequeno vazamento no banheiro. Resolvido o problema da torneira, caiu o consumo. Mas a conta ficou um pouco mais alta."

Com a submedição, a Sabesp perde dinheiro. A perda comercial de água chega hoje a 16% e corresponde a 512.310 m³ por mês. Toda essa água consumida que deixava de ser cobrada é suficiente para abastecer uma cidade de aproximadamente 86 mil pessoas, como Itanhaém, Caieiras ou Paulínia, durante 30 dias. Há quatro anos, essa submedição era de 18%, diz a empresa.

Controle. A diferença entre consumo e envio de água é detectável pela Sabesp através de um software desenvolvido pela empresa. É um mapeamento detalhado que permite a visualização de cada medidor, individual ou coletivo, por rua e quarteirão de cada cidade.

O programa apresenta um diagnóstico do consumo dos últimos meses e outros dados de cada ligação. "O sistema também possibilita a detecção de fraudes", diz o gerente da Sabesp.

Nas cidades da Grande São Paulo, existem 3,9 milhões de ligações da Sabesp. A média de idade dos hidrômetros é de 3,8 anos e no interior e litoral, de 4,6 anos. Com o tempo, os equipamentos deixam de medir corretamente. As peças internas se desgastam e deixam passar o líquido sem fazer a mensuração correta, principalmente quando a pressão da água é fraca.

Em cada região de uma cidade, a Sabesp instala um tipo de medidor diferente, de acordo com a rede de abastecimento e com o consumidor. "Há equipamento para cada perfil de cliente. São sete fornecedores e cerca de 60 tipos de hidrômetros para residência, comércio e indústria. Oito anos é a idade máxima de duração de cada um, sem perder a precisão", explica Medeiros.

Perguntas & Respostas

1.

Quando a Sabesp pode trocar o hidrômetro da minha casa?

A vida útil do equipamento é de 8 anos. A empresa faz a troca a cada 6 anos, em média.

2.

Eu vou pagar pelo novo medidor?

Não, o custo da troca é da própria Sabesp.

3.

A troca pode elevar o valor da conta de água?

De acordo com a Sabesp, a mudança pode provocar aumento de até 20% na conta. Mas há reclamações de consumidores que apontam aumento de até 90%.

4.

O que faz o hidrômetro deixar de funcionar corretamente?

O equipamento antigo não gira quando a água passa pelo mecanismo interno, se a pressão do líquido for baixa. Com a troca, a Sabesp cobra o que não era medido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.