MARIO ANGELO/SIGMAPRESS
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Consultor financeiro acusado de matar ex-mulher se entrega à polícia

Chateuabriand Bandeira Diniz Filho, de 51 anos, confessou o crime e se disse arrependido, segundo a polícia; corpo de Mariana Marcondes, de 43 anos, foi encontrado nesta terça-feira, 20

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2016 | 13h11

O consultor financeiro Chateuabriand Bandeira Diniz Filho, de 51 anos, acusado de matar a ex-mulher, Mariana Marcondes, de 43 anos, se entregou à polícia na tarde desta terça-feira, 20. Segundo a polícia, ele admitiu o crime e se disse arrependido. A prisão havia sido pedida pela delegada Regina Campanelli, do 81° Distrito Policial (Belém), que conduz as investigações. 

O corpo de Mariana foi encontrado no fim da tarde desta segunda-feira, 12, em um condomínio no Belém, na zona leste de capital. O ex-marido e dois filhos, de 6 e 9 anos, estava desaparecidos e ele era considerado foragido pela polícia.

Diniz Filho já foi alvo de três boletins de ocorrência registrados pela ex-mulher por violência doméstica, ameaça, lesão corporal, sequestro e cárcere privado. 

Ele e a ex-mulher haviam voltado a morar juntos cerca de um mês e meio atrás, por dificuldades financeiras, no apartamento do casal. Mariana tinha acabado de sair do emprego em um banco e estava começando um negócio próprio. 

Na tarde de sábado, dia em que o crime aconteceu, o casal participou de um churrasco no condomínio do prédio. Durante o evento, Mariana conversou com uma amiga pelo Whatsapp e disse que estava com o ex-marido, que ele estava bebendo, mas que estava "tudo bem". A conversa foi obtida pela polícia.

Depois de um suposto desentendimento, o casal saiu do churrasco e voltou para o apartamento. Uma testemunha relatou à polícia ter ouvido gritos no elevador, pedindo socorro e ameaçando chamar a polícia. Minutos depois, imagens de câmeras de segurança flagraram Diniz Filho deixando o prédio em um Celta Preto, com "muita bagagem" e as duas crianças.

O advogado de defesa de Chateaubriand Bandeira, Alexandre de Sá, afirmou que Mariana teria tentado "usar a Lei Maria da Penha para ficar no apartamento", que é dele. Segundo o advogado, a ex-mulher enviou uma mensagem do celular do ex-marido para outro homem, para provocá-lo, enquanto o casal estava no churrasco. Quando já estavam no apartamento, Bandeira viu a mensagem e iniciou a briga. Ele teria expulsado a mulher, que se recusou a sair. O consultor teria pedido que as crianças fossem para o quarto. Em seguida, na versão de Chateaubriand, a mulher foi até a cozinha pegar uma faca para atacá-lo e teria dito, rindo, "que quem iria sair do apartamento é ele". 

Eles teriam, então, iniciado, uma briga corporal: Chateaubriand teria tomado a faca de Mariana e ela, mordido seu braço. Foi quando, na versão do advogado, houve "descontrole". "Isso não justifica, mas explica a explosão emocional que ele sofreu nesse momento", disse o advogado. Ele negou ter batido na mulher.

Sá afirmou ainda que o cliente não se apresentou imediatamente à polícia porque quis levar os filhos até a mãe, depois de ter procurado outras pessoas que não quiseram ficar com as crianças. Ele passou o domingo na casa da mulher e, na segunda, procurou o advogado. O endereço do imóvel onde estão as crianças foi passado à Polícia.

O advogado afirmou ainda que seu cliente nega as agressões em outros episódios registrados em boletins de ocorrência. Eles ficaram juntos de 2007 a 2013, quando houve o divórcio. 

"A gente imagina que ela criou uma situação para fazer uso indevido da lei Maria da Penha, que muitas vezes tira o poder que essa lei tem de preservar a vida das mulheres e é usada com abuso para tirar o marido de casa, brigar por patrimônio. As autoridades têm  de estar muito atentas", disse o advogado.

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