Consórcio reduz ritmo de obras da Linha 4 do Metrô

Consórcio reduz ritmo de obras da Linha 4 do Metrô

Governo admite problema com grupo Isolux-Corsán-Corviam; Estações Oscar Freire e Higienópolis-Mackenzie podem atrasar

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2015 | 03h00

As obras da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo estão parcialmente paralisadas, o que pode levar a novos atrasos. O consórcio Isolux-Corsán-Corviam, contratado pelo governo do Estado para tocar o empreendimento, reduziu o ritmo da construção nos últimos meses. A situação, que persiste ao menos desde novembro, atinge os canteiros de obras das Estações Higienópolis-Mackenzie, na região central, Oscar Freire, na zona oeste, e São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, na zona sul da capital paulista.

O Metrô, que gerencia o contrato, admitiu o problema e informou que já acionou o consórcio e que adotará contra ele “outras sanções” por causa da diminuição do ritmo das obras. O proprietário de uma das subcontratadas para a obra disse que o consórcio Isolux-Corsán-Corviam deixou de pagar os vencimentos de parte das empreiteiras em outubro.

Por sua vez, o consórcio alega que o Metrô atrasou a entrega dos projetos executivos das obras e que tem feito “grandes esforços” para reajustar os seus pagamentos. O Metrô nega o atraso e informa que enviou “todos os projetos executivos necessários para o prosseguimento regular da obra”.

Em visita aos locais das futuras estações, na tarde desta quarta-feira, 28, o Estado encontrou canteiros praticamente vazios. Apenas alguns funcionários de uniforme vermelho, da Isolux, eram vistos nesses pontos. Eles afirmaram que têm pouco o que fazer em seus postos de trabalho, já que as empresas terceirizadas contratadas para as obras deixaram o serviço. “É vir aqui só para bater o ponto, mesmo”, disse um operário da obra da Estação Oscar Freire, que pediu para não ser identificado.

O canteiro, que fica do lado da Avenida Rebouças, sentido Marginal do Pinheiros, na zona oeste, servia ontem de estacionamento improvisado para carros. Ali ficará um dos acessos da estação, que será subterrânea.

A Oscar Freire e a Higienópolis-Mackenzie são as duas únicas estações de metrô que a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) promete entregar ao longo de 2015. Com o ritmo lento das obras, essa intenção poderá ser comprometida.

Ferrugem. “Faz uns meses, levaram tudo embora daqui, bombas e outros maquinários. As outras empresas (as empreiteiras subcontratadas) saíram todas”, afirmou um funcionário do canteiro da Estação São Paulo-Morumbi. As empreiteiras terceirizadas realizam serviços como terraplenagem e fundações.

“A ferragem exposta aqui fora, no chão, já está enferrujando”, disse um operário da Estação São Paulo-Morumbi, que também pediu para não ser identificado.

Segundo ele, no auge, a construção tinha mais de cem funcionários, entre os da própria Isolux e os das empreiteiras subcontratadas pelo consórcio. Agora, só restam alguns poucos da Isolux. Apesar disso, esse canteiro estava totalmente paralisado ontem à tarde.

Histórico. A Linha 4-Amarela já sofreu diversos atrasos na entrega. As obras do ramal, que começaram em 2004, foram prometidas para 2009. Parte entrou em operação em 2011. No ano passado, foi inaugurada a 7.ª estação, a Fradique Coutinho, em Pinheiros, zona oeste. 

Para as outras paradas, o prazo foi modificado sucessivas vezes. O último anunciado indica que o ramal deve estar completo, até a Vila Sônia, no ano que vem. O Metrô, porém, não confirmou se mantém esse prazo. Quando estiver pronta, a Linha 4 terá 11 estações e 12,8 km de comprimento no total, da Vila Sônia até a Luz.

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