Conselho estuda fim de carro e show no Parque do Ibirapuera

Restrições têm objetivo de aumentar conforto e segurança para visitantes do parque, mas propostas dividem até o órgão gestor

Luísa Alcalde, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2010 | 00h00

Estacionamentos dentro do parque seriam proibidos

 

JORNAL DA TARDE

Proibir shows ao ar livre e o acesso de veículos. Extinguir a Zona Azul e os bolsões de estacionamento. Vetar futebol nos gramados. Impor limites de decibéis para música alta e regras aos encontros de grupos sob a marquise. Esses são alguns dos pontos do novo regimento do Parque do Ibirapuera que estão sendo discutidos há oito meses pelo Conselho Gestor (CGPI).

O estudo das mudanças que vão nortear o comportamento dos usuários do parque nos próximos anos está quase pronto. Desde que foi criado, há 17 anos, o regulamento não é atualizado.

As medidas, ainda sem prazo para começar a valer, já provocam polêmica até dentro do CGPI. De um lado, há conselheiros que não veem necessidade de tanta restrição no espaço público. Do outro, há quem defenda rigor para aumentar a segurança e o conforto dos visitantes.

A ideia de mais restrições, no entanto, incomoda visitantes. O padre José Osterno de Aquino, de 44 anos, por exemplo, é contra acabar com bolsões de estacionamento. Aquino já não gostou de quando começaram a exigir cartão de Zona Azul, o que para ele é uma forma de exclusão. Ele defende parada livre como era antes. "Quem paga o estacionamento é quem mora longe, na periferia, e precisa vir de carro. Quem mora aqui perto e teria condições de pagar estacionamento pode vir a pé."

O padre mora na Vila Carrão e diz não ter outras opções em sua região. "O Parque do Carmo, que é mais perto, está completamente abandonado."

O arquiteto e urbanista Cândido Malta se diz contrário à eliminação de bolsões de estacionamento enquanto o poder público não oferecer transporte coletivo adequado à população.

O consultor de empresas Otávio Villares de Freitas, de 42 anos, nasceu no bairro e já foi integrante do CGPI por duas gestões. "Restringir o acesso de veículos dentro do parque é uma demanda antiga. Mas não acho que deva ser 100% porque qualquer radicalismo é problemático."

 

 

Ordem

 

Embora os integrantes do CGPI tenham opiniões distintas, há consenso em alguns pontos, como a preservação do silêncio, a normatização de eventos que reúnam grande número de pessoas e a restrição de partidas de futebol. "Não quer dizer que vamos proibir um pai de bater bola com o filho no gramado. Mas um time inteiro de futebol com 24 jogadores para lá e para cá não dá", diz Heraldo Guiaro, administrador do parque.

Ele admite, no entanto, que o debate sobre apresentações musicais é mais delicado. "Show é algo democrático. A proibição total tem de ser discutida com os frequentadores. Não acho que o impedimento seja a saída." Usuários concordam. "Música alta atrapalha, mas proibir shows é péssimo", diz a publicitária Marcela Marson, de 26 anos.

Baderna. Uma integrante do CGPI, que não quis se identificar, defende restrições a festas sob a marquise. "São mais de mil pessoas se embriagando e vomitando no parque inteiro. Fora as gigantescas caixas de som. E se ocorre um tumulto?"

Malta também é a favor do silêncio. "A população procura o parque para ter tranquilidade. Por isso sou favorável ao controle de decibéis", afirma. "A área do autorama virou um ponto de paquera de homossexuais, mas isso não quer dizer que eles possam fazer sexo ao ar livre como ocorre atualmente. Essa prática tem de ser coibida pela polícia." / Colaborou Laís Cattassini

PARA LEMBRAR

Fio dental e sunga já foram proibidos

Inaugurado em 21 de agosto de 1954, para as comemorações do quarto centenário de São Paulo, o Parque do Ibirapuera já teve muitas regras. O ex-prefeito Jânio Quadros (1985-1988) proibiu, por exemplo, o uso de sunga e fio dental. Em 1998, Celso Pitta cassou portaria que determinava o fechamento de quatro portões do parque com objetivo de "aprimorar a segurança". Em 2008, a administração tentou impor regras a personal trainers e corredores. As medidas, porém, nunca entraram em vigor.

 

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