Sergio Neves/AE
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Condephaat ''congela'' quarteirão do Itaim-Bibi que Prefeitura pôs à venda

O plano do prefeito Gilberto Kassab (PSD) de trocar um quarteirão de 20 mil metros quadrados no Itaim-Bibi por creches vai ter de esperar. O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat)abriu processo de tombamento da área na zona sul da cidade. Enquanto seus estudos não forem concluídos, nenhuma modificação poderá ser feita.

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2011 | 00h00

A decisão indica que o conjunto é importante e deve ser preservado enquanto um relatório final sobre tombamento é produzido. Não há prazo para conclusão dos estudos, mas há expectativa de que leve pelo menos um ano - cada um dos oito equipamentos públicos que funcionam ali será avaliado separadamente.

Com isso, fica praticamente inviável o projeto de Kassab de trocar o terreno - avaliado pelos técnicos em R$ 230 milhões - por 200 creches. A Prefeitura diz que não foi notificada da decisão, mas que os trâmites burocráticos vão continuar. Ainda há planos de se trocar dois outros imóveis municipais por creches, mas o total de unidades não deverá ser suficiente para cumprir a promessa de zerar o déficit na rede.

Moradores e entidades do bairro comemoraram a decisão. "O quarteirão tem valor excepcional", disse Jorge Eduardo Rubies, presidente da Preserva São Paulo, entidade que protocolou o pedido de tombamento. Ele diz que dois imóveis se destacam no conjunto: a creche Santa Tereza de Jesus - que funciona na antiga casa de campo dos Coutos de Magalhães, um casarão de um século - e a Biblioteca Anne Frank - fundada em 1949 como o primeiro prédio modernista fora do centro.

Jorge acredita, porém, que a maior singularidade do quarteirão é o fato de ele ser um dos raros representantes do conceito "escola-parque" em São Paulo. "Foi uma filosofia pensada na década de 1940, que defendia colocar no mesmo local escolas, bibliotecas, teatro, posto de saúde, esporte, tudo em meio a uma vegetação exuberante."

Lembrança. Quem se lembra do surgimento disso tudo é Helcias Bernardo de Pádua, presidente do Grupo Memórias do Itaim. Ele chegou ao bairro em 1947 e frequentou o quarteirão dos 4 aos 11 anos, quando o terreno era apenas um parque municipal com a biblioteca montada na casa dos Coutos de Magalhães. "É uma vitória de toda a comunidade."

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