Comandante do Batalhão de São Gonçalo é preso

Ele é acusado de receber propina de traficantes; seu antecessor havia sido detido por suspeita de ter mandado executar juíza

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2011 | 03h07

Polêmico como árbitro de futebol e como comandante de batalhões da Polícia Militar do Rio, o tenente-coronel Djalma Beltrami foi preso ontem ao chegar ao 7.º Batalhão de Polícia Militar de Alcântara, em São Gonçalo (região metropolitana do Rio), que comandava desde agosto. Ele e 12 integrantes do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 7.º BPM são acusados de receber propina de traficantes do Morro da Coruja, em São Gonçalo. Quatro traficantes também foram presos e um menor armado, apreendido.

De acordo com o delegado titular da Divisão de Homicídios de Niterói, Alan Luxardo, que coordenou a Operação Dezembro Negro, imagens gravadas no início de setembro, testemunhas e escutas telefônicas provam o envolvimento dos PMs com os traficantes. Uma filmagem mostra equipe do GAT do 7.º BPM em reunião com o advogado do traficante Maico dos Santos Souza, o Gaguinho, em uma das entradas do Morro da Coruja.

"Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça revelaram que PMs do 7.º BPM negociavam propinas com traficantes para deixar funcionar o tráfico de drogas. Em uma das conversas, o policial pedia, por semana, R$ 10 mil para o 'Zero Um' (como é chamado o comandante do batalhão) e R$ 5 mil para cada 'gêmea do GAT' (as viaturas do grupo de elite do 7.º BPM)", afirmou o promotor de Justiça Marcelo Arsenio, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio, que participou da operação com a Corregedoria-Geral Unificada e a Divisão de Homicídios de Niterói.

Na gravação, o traficante reclama dos valores cobrados pelos policiais: "Como é que vou dar 10 mil pra tu? E depois tem que dar tanto para as outras gêmeas? Tá louco, aí eu morro. A boca não é minha, não, cara".

Treze policiais militares foram indiciados por associação para o tráfico e corrupção passiva. Foram expedidos ainda 11 mandados de prisão contra traficantes.

Segundo a ser preso. Em menos de três meses, Beltrami foi o 2.º comandante do 7.º BPM preso. Ele substituiu Claudio Luiz de Oliveira, preso sob a acusação de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli. Em depoimento, Beltrami negou as acusações e disse que nunca recebeu dinheiro do tráfico.

O ex-árbitro comandava o 14.º BPM de Bangu (zona oeste), em abril, quando Wellington Menezes matou 12 estudantes em Realengo. Na ocasião, Beltrami disse que a carta de despedida do atirador tinha "características fundamentalistas", o que provocou protestos da comunidade muçulmana no País.

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