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Com uso do 'volume morto', nível do Cantareira chega a 26,7%

Diego Zanchetta e Rafael Italiani - O Estado de S. Paulo

16 Maio 2014 | 13h 45

Sabesp começa a considerar fundo de represas; sem isso, capacidade útil seria de apenas 8,2%

Atualizada às 21h33

SÃO PAULO- Ao considerar, desde esta sexta-feira, 16, a água do "volume morto", a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) elevou de 8,2% para 26,7% o nível do Sistema Cantareira, que abastece 8 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo a companhia, o "volume morto" acrescenta 18,5 ponto porcentual ao volume útil - o equivalente a 400 milhões de metros cúbicos de água armazenados abaixo das comportas do Cantareira. A captação foi inaugurada nesta quinta pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), em Joanópolis, no interior paulista, na tentativa de evitar o desabastecimento de todo o sistema.

A partir de domingo, os moradores da Grande São Paulo que ainda são abastecidos pelo Sistema Cantareira já começam a receber água do "volume morto" do manancial, conforme antecipou o Estado na quinta. Os técnicos do governo paulista, no entanto, não sabem quanto tempo os 182 bilhões de litros adicionais devem durar.

Segundo estimativa feita pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, o próximo período chuvoso só deve registrar pluviometria dentro da média em dezembro. "(A duração do volume morto) Vai depender das obras que estamos fazendo, da continuação da boa vontade das pessoas e da situação meteorológica. Pode durar a vida inteira. Basta que volte a chover normalmente", disse o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce. Maio, por exemplo, não deve ser bom para o Cantareira. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até esta sexta havia chovido 0,7 milímetro. A média de maio é de 83,2 milímetros.

Arce não quis estimar por quanto tempo será usado o "volume morto". As projeções da Sabesp apontavam novembro como prazo final da reserva. Há duas semanas, no entanto, o secretário disse que ela duraria até março de 2015.

Qualidade. Quanto à qualidade do "volume morto", questionada por ambientalistas e promotores por causa de uma possível contaminação por metais pesados, o governador Geraldo Alckmin garantiu por várias vezes que a água é atestada tanto pela Sabesp quanto pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). "Ela é igual às demais águas."