Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Com tempo seco, queimadas se alastram pelo interior de São Paulo

Só no três primeiros dias de maio, foram registrados 28 incêndios; cidades também são tomadas por nevoeiros

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2018 | 17h57

SOROCABA - Nos três primeiros dias de maio, foram registradas 28 queimadas no interior de São Paulo, média de 9,3 por dia. Só entre a zero hora de quinta e a zero hora desta sexta-feira, 4, houve 15 focos de incêndio, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em todo o mês de abril, tinham sido registrados 82 focos, média de 2,7 por dia. “As queimadas que estamos vendo agora são apenas o começo do que vem pela frente, pois a estiagem mais definida ainda está por vir”, disse o coordenador do sistema de monitoramento de queimadas do Instituto, Alberto Setzer.

Os satélites do Inpe flagraram quatro queimadas no município de Bebedouro, região norte do Estado. A cidade paulista entrou na relação dos dez municípios brasileiros com mais focos no período. Na tarde de quinta-feira, a fumaça chegava a encobrir o sol na rodovia Brigadeiro Faria Lima (SP 326), que corta Bebedouro. As cidades de Bauru, Cravinhos, Jaú e Sabino tiveram dois incêndios cada. Em Bauru, não chove há trinta dias e os bombeiros atendem a 20 ligações diárias por fogo em mato. Os outros incêndios foram registrados em Dracena, Garça e São Miguel Arcanjo.

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Os satélites detectam queimadas com frente de fogo superior a 30 metros e têm mais precisão com o céu sem nuvens. Não entrou na estatística um incêndio que, na noite de quinta-feira, assustou os moradores da Vila Elvira, em São José do Rio Preto. O fogo avançou em direção às casas e moradores tiveram de se proteger da fumaça. Em um dia, os bombeiros atenderam a doze ocorrências de fogo em mato na área urbana. Em Cosmorama, na mesma região, a fumaça causada pelo incêndio em um canavial causou a interdição da rodovia Euclides da Cunha (SP 320). O fogo foi controlado por funcionários de uma usina.

Conforme Setzer, o número acumulado de 303 focos este ano está 10% maior do que no ano passado. “Tem a ver com a falta de chuvas e a baixa umidade do ar, aliada a uma questão cultural. Algumas regiões estão sem chuva há um mês e tem gente que ainda usa fogo para limpar terreno ou eliminar lixo.” Na tarde desta sexta, as cidades de Campinas e Ribeirão Preto entraram em estado de atenção, com umidade relativa do ar em 27% e 28%, respectivamente. Conforme a Defesa Civil, isso acontece quando o índice fica entre 21% e 30% - o ideal para a saúde humana é acima de 60%.

Névoa. Ao lado das queimadas, algumas regiões do interior estão sendo tomadas por nevoeiros, principalmente nas primeiras horas da manhã. De acordo com o técnico do Inpe, o fenômeno costuma se formar nesta época do ano, em razão das variações de temperaturas, mais altas durante o dia e baixas à noite. A névoa é formada pela condensação da umidade presente ano ar. “É um fenômeno natural, mas que afeta principalmente o trânsito, com redução de visibilidade. Agora, quando se tem nevoeiro e queimadas ao mesmo tempo, a situação pode ficar perigosa”, disse.

Ele lembrou que, no ano passado, a combinação de névoa e fumaça causou um grave acidente na rodovia Carvalho Pinto, em Jacareí. Na manhã do dia 30 de agosto, 36 veículos se envolveram em um engavetamento, que deixou um saldo de dois mortos e trinta feridos. Na época, em inquérito da Polícia Civil, testemunhas disseram que havia nevoeiro na estrada, que teve a visibilidade ainda mais prejudicada pela fumaça de uma queimada sob um viaduto, no local do acidente.

 

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