Laura Maia de Castro/Estadão
Laura Maia de Castro/Estadão

Com muletas, aposentado caminha 4 km para chegar a hospital

Sem conseguir pegar ônibus, Judivan da Silva, de 42 anos, tentava algum meio de transporte para chegar ao local onde faria uma consulta médica

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

21 Maio 2014 | 20h40

SÃO PAULO - Com muita dificuldade, o pedreiro aposentado Judivan da Silva, de 42 anos, caminhava de muletas pela Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste da cidade, por volta das 12h30 desta quarta-feira. Sem conseguir pegar um ônibus, o aposentado tentava algum meio de transporte para chegar ao Hospital das Clínicas, onde tinha uma consulta marcada há três meses.

Ele já havia caminhado por 2 quilômetros quando a reportagem o encontrou apoiado a uma grade de um edifício comercial da avenida para descansar."Estou andando desde a estação de trem Hebraica-Rebouças para ver se consigo pegar um ônibus na Teodoro. Não tenho alguns movimentos das pernas", disse Silva.

Morador de Parelheiros, na zona sul da cidade, ele saiu às 7 horas de casa, pegou um ônibus até o Terminal Varginha e um trem até a Estação Hebraica-Rebouças. Tudo isso para garantir a consulta e Raio-X da coluna que tem pinos há 14 anos, desde que ele sofreu um acidente de trabalho.

Enquanto a reportagem entrevistava Silva, dois executivos que trabalham na avenida ouviram a história dele e o ajudaram com o dinheiro para o táxi. Emocionado, Silva agradeceu a ajuda e seguiu para a consulta."Eles fazem essa greve de surpresa e acabam prejudicando a gente", lamentou.

Após ser atendido no hospital, a luta pelo transporte continuou. O aposentado conseguiu pegar uma lotação até o Largo da Batata por volta das 15h30 e andou mais 2 quilômetros para voltar à Estação Hebraica Rebouças. Às 18h, ele ainda estava no terminal do Grajaú e, felizmente, conseguiu uma carona."O trem estava lotado e foi um sufoco, mas ainda bem vou conseguir voltar para a casa com um amigo".

Nesta quinta, Silva tem um consulta em uma unidade de Saúde de Vila Mariana, mas não sabe se conseguirá chegar. "Acho que amanhã vai estar tudo parado e eu não vou conseguir", lamentou.

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