Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Com calor e consumo alto, cidades reforçam economia de água

Mesmo com reservatórios cheios em função das recentes chuvas, municípios do interior de São Paulo mantêm medidas restritivas

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2015 | 14h58

SOROCABA - O calor forte e o aumento no consumo estão levando cidades das regiões de Sorocaba e Campinas, no interior de São Paulo, que sofreram com a falta de água em 2014, a manter medidas de economia mesmo com os reservatórios cheios em função das chuvas. Os municípios querem evitar o risco de novos racionamentos caso a temporada chuvosa deste ano seja curta. Em algumas cidades, até o rodízio continua mesmo com água à disposição. Moradores também mudaram hábitos e reduziram o consumo. 

Em Valinhos, os 102 mil habitantes já se acostumaram a ficar sem água nas torneiras durante 18 horas em dois dias da semana. O rodízio, o mais longo do Estado, iniciado em fevereiro de 2014, foi mantido apesar das chuvas terem recuperado o nível dos mananciais.

De acordo com o Departamento de Águas e Esgotos de Valinhos (DAEV), a medida é necessária porque 50% da cidade depende das águas do Rio Atibaia para abastecimento. O rio é formado pela vazão efluente (de saída) do Sistema Cantareira, que continua com nível muito crítico. Na cidade, quem desperdiça água é multado em cerca de R$ 360. Desde o início do racionamento foram aplicadas mais de 500 multas, mas a cidade reduziu em 25% o consumo de água.

Itu. Em Itu, os moradores ainda mantêm hábitos de economia adquiridos durante dez meses de racionamento drástico, em 2014. A comerciante Maria Marlene, de 56 anos, moradora do bairro Cidade Nova, mantém a caixa reserva de 500 litros sempre cheia.

Maria também não se desfez dos baldes e bacias comprados na época da crise e se acostumou a usar a água da máquina de lavar roupas para higienizar os banheiros. "A gente espera que aquela situação não se repita, mas é melhor ficar prevenida", disse.

O racionamento foi suspenso no início de dezembro, mas não se vê morador lavando carro ou calçada na rua. Quando o fazem, é com água já usada. Os reservatórios, que chegaram a secar no auge da estiagem, estão agora com 90% da capacidade. Mesmo assim, o comitê de gestão da água criado durante a crise, continua monitorando o consumo e as ações da concessionária.

A multa instituída pela Justiça de R$ 500 por moradia ou comércio que ficar sem água mais de 48 horas, a ser paga pela prefeitura e pela concessionária, ainda está em vigor. 

Salto. Mesmo com todos os mananciais usados para abastecimento em nível normal e os reservatórios bem abastecidos, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Salto lançou uma campanha contra o desperdício, com folhetos distribuídos nas ruas, outdoors e veiculação em rádios e jornais.

Um carro de som percorre a cidade alertando para a existência de uma lei municipal de 2012 que pune com multa de R$ 241 quem lava calçadas, carros ou de alguma forma desperdiça água. Campinas e Piracicaba também realizam campanhas para economia de água.

Alerta. Mesmo com as chuvas, o Rio Camanducaia, um dos formadores da bacia do Piracicaba e que terá um reservatório de apoio ao Sistema Cantareira, entrou em nível de alerta nesta segunda-feira, 12, por ter vazão abaixo de 2 metros cúbicos por segundo. No início da tarde, a vazão era de 1,82 metro cúbico por segundo no ponto de captação conhecido como Dal Bo, em Jaguariúna.

Resolução conjunta da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) estabelece redução de captação quando o nível passa do estado de alerta para o de restrição. A medida ainda não está oficialmente em vigor: a resolução deve ser publicada nesta semana, segundo a ANA.

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