Com 102 barracos condenados, morro da Tijuca ainda é habitado

Bananal pode desabar, segundo prefeitura, que não sabe quando fará remoção; agentes não [br]visitam local desde 2009

Gabriela Moreira, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2010 | 00h00

Entre as 130 favelas que, segundo a prefeitura do Rio, correm risco de desabar, está o Morro do Bananal, na Tijuca, zona norte. O local tem 102 barracos, todos condenados. Apesar do risco iminente e de constar da lista de remoção, a comunidade não recebe a visita de representantes do município desde o ano passado.

Parte da favela está sem energia por causa do desabamento de uma encosta na terça-feira. A terra acumula no entorno e grandes pedras estão soltas, colocando em risco toda a comunidade. "Passamos a noite toda ligando para a Defesa Civil, mas não conseguimos falar. Nós estamos tentando limpar o que podemos, mas somos poucos e não temos máquinas", disse o presidente da Associação de Moradores do Bananal, Edmilson da Conceição Carlos, de 38 anos.

Desde que o relatório foi divulgado, a comunidade passou por dois grandes temporais. Nascida no morro, Simone Alves, de 35 anos, disse que a situação tem ficado pior a cada chuva. "A prefeitura já identificou que estamos sob risco, mas não dizem quando vão começar a remover as casas. Sei que eu e minha família estamos correndo risco, mas sem ajuda não temos para onde ir. Todos os meus parentes moram aqui", reclama.

O pedreiro Edson Francisco Carlos, de 51 anos, gaba-se do reforço que fez em sua casa, onde mora com mais sete pessoas. "Aí para cima tem risco, mas a minha casa não cai. Moro aqui há 51 anos e nunca desabou. Eu reforcei a estrutura fixando a base na pedra", explica ele. Toda a comunidade tem a mesma estrutura. As casas são fixadas na pedra.

A estudante Dailayne Gomes vê riscos na estrutura. "O problema é se as pedras rolarem", diz a jovem, questionando sobre a decisão de remover as casas da comunidade. "Se formos para um lugar pior eu não quero."

A Secretaria Municipal de Habitação disse que as casas em situação de risco serão removidas até 2012, mas não informou o cronograma das remoções.

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