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Clowns do Slava's snow à solta por SP

Filipe Vilicic - O Estado de S.Paulo

15 Julho 2010 | 00h 00

Trupe de palhaços estrangeiros, cujo show está em cartaz no Citibank Hall e [br]já foi visto em 35 países, revela impressões sobre a cidade e os paulistanos

São Paulo está cheia de palhaços de primeira. Calma. Trata-se de profissionais. Há dois dias, chegou à cidade o elenco do grupo Slava"s Snowshow, que excursionou por 35 países, como Estados Unidos, China e Inglaterra. E, ontem, deu início à sua segunda temporada paulistana (a primeira foi em 2007).

Oito atores vieram a São Paulo. Antes do primeiro show aberto ao público, o Estado levou dois deles e o diretor artístico para um passeio - em parte dele, trajados como palhaços. Eles contam suas impressões, como se espantaram com a desigualdade social e questionaram por que a polícia faz vista grossa para vendedores de produtos piratas.

O tour com os clowns ("palhaços", em inglês; mas também um termo para o tipo de arte que fazem) durou 2h30. Começou no hotel da trupe, em Moema, zona sul, passou próximo do Parque do Ibirapuera, pela Avenida Paulista e pelo centro.

Partida. Os dois atores que fizeram o passeio estão no País pela primeira vez. "Por enquanto, só sei, pelas reações do público (no dia anterior houve uma pré-estreia fechada), que o povo é aberto e alegre", disse o americano Bradford West. "Li sobre São Paulo", apontou seu colega, o canadense Derek Scott. "Guias falam que há um belo parque (o Ibirapuera) e prédios malcuidados. E sei que as mulheres são lindas", disse Scott, mostrando como vendem São Paulo lá fora.

Criado em 1993 pelo russo Slava Polunin, o grupo faz audições por onde passa para contratar palhaços, como West e Scott. Para o Brasil, vieram quatro russos, um canadense, um americano, um mexicano e um usbeque.

De Moema, a turma partiu para a Avenida Paulista. No meio do caminho, eles viram o Obelisco do Ibirapuera, símbolo da Revolução Constitucionalista de 1932. "O que é esse pedaço enorme de concreto?", perguntou Scott. Depois de uma rápida explicação, concluiu: "Ah, tipo um Arco do Triunfo, de Paris, só que menos imponente?".

Na primeira parada, na Paulista, estavam com roupas "normais", sem nariz vermelho ou maquiagem, e visitaram o Museu de Arte de São Paulo (Masp). "Bela construção", comentou Scott. "Parece com o Ontario College of Art & Design, no Canadá (que tem um vão livre)."

O trânsito deixou ambos impressionados. "Como o nova-iorquino", disse West. "Mas aqui todos andam de carro. Lá, é de táxi, a pé ou de metrô. E os carros são mais importantes que as pessoas?", questionou o diretor artístico, o russo Gary Chernykhovsky, quando veículos avançaram sobre a trupe na hora em que o farol abriu. "Parece que, se quebrar um veículo, é ruim. Perder uma pessoa, tanto faz."

O grupo ainda visitou o Stand Center, onde são vendidos produtos piratas. "Isso é legal aqui?", perguntou West. "Não? E a polícia nada faz? É tipo um mercado ilegal em que todos vão, só que fingem não existir?"

Povo. "Adorei as pessoas", destacou Scott. "O paulistano topa brincar", concordou West. Os dois interagiram com quem passava pela rua: abraçaram vendedores no Stand Center; se esconderam no canteiro central da Avenida Paulista; deitaram na frente do prédio do Sesi; conversaram com mendigos.

Depois, rumaram para o centro. Lá, se vestiram como palhaços. Com sapatos grandes, nariz vermelho e maquiagem pesada, abraçaram crianças, tentaram trocar um sutiã por uma capa de chuva - garoava no momento. Muitos se amontoaram para vê-los. Eles mostraram como seria um palhaço por aqui. "Um "clown" descontrairia o povo e acabaria com esse ar de "homem de negócios"", analisou o diretor Gary. "Vejo que a cidade é cosmopolita e cheia de diferenças, com mendigos ao lado de ricos. Bom material de base para um artista."

Show. Um dia antes, o Estado conferiu a pré-estreia do Slava"s. Aviso: a peça não é para crianças. A apresentação tem um tom melancólico e trata de temas como "morte" e "perda" com pitadas de humor e drama. Há ainda muita interação no show. Os atores jogam água no público, andam entre as cadeiras, arremessam enormes bolas à plateia. E, no auge da apresentação, uma nevasca de pedaços de neve (feita de papel) toma o espaço. "Fazemos cenas que podem ser interpretadas de várias formas. Uns choram, outros riem", diz West.

Serviço

SLAVA"S SNOWSHOW. CITIBANK HALL. AV. JAMARIS, 213, MOEMA. 4003-5588. R$ 90 A R$ 170. TERÇA A DOMINGO. ATÉ 28/7 (EXCETO 20/7)

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