Clima pode ter provocado falha de sensores do Airbus A330

Mensagens automáticas transmitidas pelo avião revelam "incoerência entre as diferentes velocidades medidas"

Associated Press e Efe

05 Junho 2009 | 05h48

Continuam as investigações sobre o que teria ocorrido com o voo desaparecido 447 da Air France, com 228 passageiros, e que partiu no último domingo, 31, do Rio de Janeiro com destino a Paris. As hipóteses estão ligadas ao clima da região.

 

Na rota prevista entre o Rio de Janeiro e Paris, havia "importantes células de convecção, características das regiões equatorianas" em referência às intempéries dessa zona sobre o Oceano Atlântico, disse o Organismo de Investigação e Análise (BEA, na sigla em francês).

 

A partir de análise de mensagens automáticas transmitidas pelo avião, se produziu uma "incoerência entre as diferentes velocidades medidas" nas quais voava a aeronave. Esses sinais demonstram que o clima pode ter tido uma influência decisiva no sumiço do Airbus A330.

 

A existência de uma zona de turbulências associada à essas condições próprias da região e de tormentas foi mencionada desde o começo que se tem notícias do desaparecimento do avião da Air France, no qual viajavam 228 pessoas.

 

Sensores

 

Na França, os investigadores que tratam de determinar porque o voo 447 da Air France se partiu em uma violenta tormenta sobre o Atlântico estudam a possibilidade de que os sensores de velocidade ou um instrumento externo chave para detectá-lo tenham falhado, disseram na quinta-feira funcionários da companhia.

 

Dois empregados próximos à investigação disseram à Associated press que estudam a possibilidade de uma sonda externa que mede a pressão do ar possa haver congelado. A sonda transmite informação aos computadores a borda que estes usam para calcular a velocidade do ar e altitude. Outra possibilidade é o que os sensores dentro da aeronave que leem a informação tenham falhado.

 

Se os instrumentos não estavam enviando informação precisa, o avião poderia haver voado a uma velocidade excessiva ou muito lenta quando entrou na turbulência por causa de uma passagem de tormentas elétricas, segundo disseram os funcionários.

 

Os meteorologistas disseram que o avião da Air France entrou em uma tormenta não usual com correntes ascendentes de 161 quilômetros por hora que atuavam como um aspirador, absorvendo água do oceano. A incrível umidade do ar ascendeu até a altura do avião, onde rapidamente se congelou em temperaturas negativas, abaixo de zero. As correntes ascendentes haviam criado uma turbulência perigosa.

O sistema computadorizado do avião falhou no final, e provavelmente o avião se despedaçou no ar para logo cair no oceano Atlântico no voo do Rio de Janeiro a Paris no domingo, 31 à noite.

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