Cinco perguntas para...

Marcelo Assumpção

, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2010 | 00h00

PROFESSOR DE GEOFÍSICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

1.Este ano foi marcado por três trágicos terremotos: no Haiti, no Chile e no México. Há, afinal, mais tremores que o usual?

Não. O que ocorre é que infelizmente houve mais registros em centros populosos.

E, no caso do Haiti, em um lugar sem estrutura. Mas não está fora do comum. Anualmente, presenciamos mais de dez como os do México e do Haiti. Também tivemos um tão forte quanto o do Chile, o único grande dos três, no mês passado, no Oceano Pacífico. Não teve repercussão por ter sido em um ponto ermo.

2.Pode ocorrer um na capital paulista?

De grande magnitude, não. Estamos no meio de uma placa tectônica e os maiores surgem nas bordas. Eventualmente, porém, presenciamos um de 2 graus na escala Richter, que é como um caminhão passando em uma rua próxima.

3.E pelo Brasil?

Já tivemos um acima de 6 graus em Mato Grosso, nos anos 1950. Como lá era vazio, não causou danos.

4.Como é possível sentir em São Paulo um terremoto no Chile?

As vibrações são amplificadas pela bacia da base da metrópole. O chão é afetado e balança prédios.

5. As vibrações danificam estruturas?

Não. O lustre da sala pode até chacoalhar. Mas no máximo isso. O paulistano só sente apreensão porque não está acostumado.

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