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Ciência brasileira ressurge na Antártida

Herton Escobar - O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2014 | 02h 04

Programa avançou apesar da destruição da Estação Comandante Ferraz, há dois anos

Dois anos depois do incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), em 25 de fevereiro de 2012, a ciência brasileira não só se recuperou da tragédia como vive seu melhor momento no continente gelado. "Matamos o mito de que o programa antártico brasileiro ia parar", diz Jefferson Simões, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenador-geral do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera. "O impacto foi mais psicológico do que científico."

Segundo ele, as pesquisas já estão "100% normalizadas", com o apoio dos dois navios antárticos da Marinha - o Almirante Maximiano e o Ary Rongel - e da base provisória que foi montada sobre o heliponto da antiga estação, no início de 2013, já totalmente operacional, com cerca de 1 mil metros quadrados de área útil.

"As instalações provisórias estão funcionando muito bem, com boa infraestrutura para alojamento e necessidades básicas de pesquisa", disse ao Estado por e-mail a pesquisadora Rosalinda Montone, da Universidade de São Paulo, vice-coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais, que está agora na Antártida.

 

Segundo o contra-almirante Marcos Silva Rodrigues, que coordena o Programa Antártico Brasileiro (Proantar), 25 projetos de pesquisa estão em curso na Antártida neste verão (período de outubro a março, quando é possível operar na região): 12 a bordo do Almirante Maximiano, 7 no Ary Rongel e 6, na base provisória.

 

A expectativa é de que o volume de pesquisas cresça nos próximos anos. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou em setembro o primeiro edital específico para o Proantar em quase cinco anos, no valor de R$ 13,8 milhões. Vinte projetos foram aprovados.

Futuro. A construção da nova estação está prevista para começar no verão antártico de 2014-2015 e terminar no de 2015-2016, conforme estipulado na licitação que foi aberta para a execução do projeto. A abertura dos envelopes com as propostas está marcada para amanhã, em Brasília, e a expectativa da Marinha é anunciar o vencedor logo após o carnaval. A seleção será pelo menor preço, após qualificação técnica.

A licitação já deveria ter sido concluída em dezembro, mas a abertura dos envelopes foi suspensa um dia antes da data, por causa de questionamentos técnicos levantados pelas empresas interessadas. O prazo para conclusão da obra, que era de um ano, foi estendido para dois, "divididos em 300 dias de trabalho efetivo no local de construção da nova EACF, durante dois verões antárticos", segundo o edital. "Não há previsão de novos adiamentos", afirma Rodrigues, secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm).

O tamanho da estação também aumentou em relação ao projeto original, de 2,8 mil m2 para 4,5 mil m2, com acréscimo de laboratórios e mais infraestrutura de segurança e geração de energia. "Vamos ter uma estação que será o estado da arte, entre as mais modernas do mundo", promete Rodrigues.

O custo estimado do plano, consequentemente, também cresceu: de R$ 72 milhões, no início de 2013 (quando o projeto arquitetônico foi escolhido), para R$ 110 milhões, em outubro (quando o projeto executivo foi finalizado), e agora, para R$ 145 milhões. Segundo Rodrigues, a variação deve-se ao aumento da estrutura física da base e à variação cambial do euro. "Desde o início dissemos que a estação custaria por volta de 40 milhões", diz.

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