Cidades jovens e hi-tech vão se destacar no futuro

Especialistas acreditam que incentivo à inovação deve ser prioridade nos municípios

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2013 | 02h07

A cada semana, 1 milhão de pessoas passam a viver em cidades pelo mundo, no que já é considerado o mais rápido processo de urbanização da história da humanidade. Cerca de 5 bilhões de pessoas, mais de 60% da população mundial, devem viver em cidades em 2030. Muitas vezes caótico, o meio urbano vai ter de absorver um crescimento que, em área, equivale a duas Franças.

As cidades que pretendem se destacar neste novo cenário precisam funcionar bem e desenvolver soluções rápidas e inteligentes para seus problemas. Especialistas acreditam que o incentivo à inovação e à participação popular nos governos, a geração de empregos e o estabelecimento de parcerias com empresas privadas devem estar na lista de prioridades dos municípios que quiserem oferecer melhor qualidade de vida a seus habitantes no futuro.

A busca por cidades mais humanas, justas e atraentes para seus moradores foi debatida por alguns dos maiores especialistas do mundo ao longo da semana, quando São Paulo sediou o New Cities Summit. O encontro é organizado anualmente pela New Cities Foundation, entidade sem fins lucrativos que pesquisa iniciativas para melhorar a vida no meio urbano.

"São as cidades que vão liderar os países para o crescimento nos próximos anos. Se criarem empregos, gerarem inovação e souberem investir o lucro que é produzido, elas vão fazer essa ponte para o desenvolvimento", afirmou o presidente da fundação, John Rossant.

"A competitividade das cidades vai depender de três eixos: econômico, com a geração de empregos; social, que envolve a atração de jovens para manter a cidade viva e a inclusão de todos os habitantes; e meio ambiente. Se o lugar for uma bagunça, ninguém vai querer viver lá, e a cidade perde o sentido", afirmou o pesquisador de políticas públicas Ashwin Mahesh.

Tecnologia. O uso da tecnologia pode ser uma ferramenta importante para engajar os cidadão na construção de uma cidade mais participativa. Criada há pouco mais de dois meses no Recife, a rede social Colab (www.colab.re) é um exemplo de como a interação pode ser positiva. Utilizando smartphones, as pessoas podem interagir com as cidades onde vivem apontando problemas, propondo soluções e avaliando serviços públicos. Os posts podem receber comentários por outros usuários, o que cria verdadeiras campanhas na internet.

Na outra ponta, o poder público pode interagir diretamente com os habitantes da cidade, respondendo às demandas ou debatendo propostas. O poder de mobilização fez com que o Colab fosse escolhido o melhor aplicativo urbano do mundo na New Cities Summit deste ano, o que valeu um prêmio de R$ 5 mil aos criadores.

"O Brasil está passando por um momento em que a palavra-chave é mudança. A ideia do Colab é justamente ser essa ponte entre os cidadãos e a cidade para que a mudança aconteça", disse Bruno Aracaty, cofundador da rede social. O aplicativo foi lançado no Recife e o acesso será liberado em mais cidades.

Outra solução brasileira que usa a internet para aproximar a população da solução de problemas lembrada durante a conferência é o MeuRio (www.meurio.org.br). Ao montar uma campanha na internet utilizando a comunidade, uma menina de 8 anos conseguiu evitar a demolição de sua escola.

"A gente pensou em fazer um site, e não um aplicativo para celular para ser mais inclusivo", disse Alessandra Orofino, uma das criadoras. O grupo trabalha com uma versão paulistana do site, que deve ser lançada até o fim do ano.

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