Cidades de São Paulo voltam a racionar por risco de falta d'água

Em Araras, foi anunciada a volta do rodízio na sexta; preocupação é maior para as cidades que dependem das bacias do PCJ

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

08 Abril 2015 | 17h11

SOROCABA - O risco de ficarem sem água com o fim do período chuvoso, que deve ocorrer este mês, está levando cidades da região de Campinas, interior de São Paulo, a retomar o racionamento. Em Araras, o Serviço de Água, Esgoto e Meio Ambiente (Saema) anunciou a volta do rodízio no abastecimento a partir de sexta-feira, 10. A cada 12 horas com água, os 120 mil moradores ficarão 36 horas com as torneiras secas.

De acordo com o Saema, o objetivo é fazer o consumo voltar a ser de 25 milhões de litros por dia, como ocorreu no racionamento.

Com a medida suspensa, o gasto diário de água chegou a 44,3 milhões de litros no feriado da Páscoa. O aumento obrigou à utilização da água armazenada nos reservatórios. Com o rodízio, a água captada no Rio Mogi Guaçu é suficiente para manter a cidade abastecida, poupando os reservatórios para os períodos críticos. "Temos de usar de forma racional, pois agora começa a estiagem e a situação continua preocupante", disse o presidente do Saema, Felipe Dezotti  Beloto.

Em Valinhos, os reservatórios se recuperaram com as chuvas, mas o racionamento vai continuar, segundo o Departamento de Água e Esgoto (Daev). A cidade trata 27 milhões de litros por dia, insuficientes para os 117 mil habitantes. A nova estação de tratamento, que elevará a capacidade para 39 milhões de litros, só fica pronta no final do ano. Parte do abastecimento - 200 litros por segundo - vem do Rio Atibaia, que depende do Sistema Cantareira, ainda em estado crítico. De acordo com o Daev, em 15 meses de racionamento a cidade economizou 4 bilhões de litros.

Vinhedo manteve o sistema de abastecimento alternado que está permitindo uma redução no consumo de 740 m3 por hora para 520 m3/h. O objetivo é reservar água para o período seco, informou a Sanebavi, empresa de saneamento da cidade. Na mesma região, Nova Odessa fez o desassoreamento das represas, mas mantém o racionamento noturno - das 21 às 10 horas - para garantir água na estiagem. O município de Saltinho monitora o nível dos reservatórios e pode retomar o racionamento ainda este semestre. 

A preocupação é maior para as cidades que dependem das bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) para se abastecer, como Campinas. A vazão do Rio Atibaia, que abastece a cidade, havia caído para 8,19 metros cúbicos por segundo, nesta quarta-feira, 8, no ponto de captação, após ter atingido 29,7 m em março. O Piracicaba, o principal rio da região, tinha 52,23 m3/s em Piracicaba, longe do pico de 267,4 que alcançou no final de março. Isso ocorre porque a boa vazão depende das chuvas.

A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo está oferecendo apoio financeiro não reembolsável para projetos de captação de água da chuva e reúso em municípios com até 50 mil habitantes. As inscrições devem ser feitas até o próximo dia 26. Nesta primeira fase, o programa é exclusivo para cidades das bacias hidrográficas do Alto Tietê, Paraíba do Sul e Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Bacias PCJ). Já estão disponíveis de R$ 8,7 milhões. 

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