Cidades baianas receberam mais repasses

Dos repasses do Ministério da Integração Nacional para os municípios baianos realizados desde março de 2007, quando Geddel Vieira Lima virou titular da pasta, 80,8% foram para prefeituras baianas comandadas pelo PMDB, partido do ex-ministro, que agora é pré-candidato ao governo. Dos R$ 476,9 milhões transferidos para as prefeituras da Bahia, R$ 385,5 milhões foram para peemedebistas e R$ 38,9 milhões, para petistas.

, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2010 | 00h00

O ex-ministro argumenta que não houve favorecimento e que os prefeitos do PMDB foram os que mais apresentaram projetos aprovados pelo ministério, principalmente na área de prevenção aos desastres naturais. Mas, em 2009, quando a Bahia levou 48% das verbas da União para os programas de prevenção de desastres naturais, o Estado teve 50 municípios com registro de desastres ou situação de calamidade, o equivalente a 5,2% das 951 cidades brasileiras que no ano passado tiveram problemas com tragédias naturais.

De janeiro ao dia 1.º de abril, a Bahia continua a liderar, com R$ 24 milhões, os repasses da União para a prevenção de desastres. Terceiro colocado, São Paulo teve repassados R$ 2,8 milhões. Mas, no programa de resposta às tragédias, destinado a intervenções que devem ser feitas após algum tipo de acidente, o Rio lidera com R$ 59,3 milhões, principalmente por causa dos repasses feitos após as mortes causadas pelas chuvas em Angra dos Reis, no início deste ano.

Adversários. Já se comparados os recursos do Ministério da Integração Nacional feitos para órgãos estaduais, a Bahia recebeu apenas R$ 24,3 milhões de um total de R$ 1,594 bilhão transferidos em 2009. À frente do governo estadual baiano está o ex-ministro do Trabalho, Jaques Wagner (PT), provável adversário de Geddel nas eleições de outubro deste ano.

Em recursos para órgãos municipais (prefeituras e secretarias municipais), depois dos baianos, os municípios que mais receberam foram os de Mato Grosso, com R$ 38,8 milhões.

"Há um favorecimento descarado para a Bahia. Aparentemente, mostra que o ministério virou um feudo eleitoral", aponta Gil Castelo Branco, da ONG Contas Abertas. Geddel nega a concentração de recursos e diz que a distribuição de verbas leva em conta emendas apresentadas pelo parlamentares e verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). / D.Z.

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