Cidade ganha adaptações aos poucos

Cidade ganha adaptações aos poucos

Idosos, ONGs e até poder público admitem falhas em mobilidade, habitação e saúde; Prefeitura tem apenas 90 vagas de repouso

Edison Veiga, Filipe Vilicic e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

04 Abril 2010 | 00h00

Na cidade que envelhece, que em 14 anos abrigará mais idosos do que jovens, adaptações são necessárias - mudanças que, aos poucos, vêm ocorrendo. "Desde o Estatuto do Idoso, lançado em 2003, temos evoluído muito", observa Terezinha Aparecida Teixeira da Rocha, de 63 anos, presidente do Conselho Estadual do Idoso de São Paulo. "O número de políticas públicas e iniciativas do setor privado é crescente. A terceira idade também está cada vez mais ativa e participativa."

Como provas dessa evolução, parques paulistanos ganham projetos de acessibilidade, equipamentos de ginástica e atividades para esse público. Há incentivos estaduais e federais para que idosos viajem pelo Brasil e pelo mundo. Ao longo de 2009, ocorreram 92 eventos voltados à terceira idade nas bibliotecas públicas municipais de São Paulo.

Para a empresária (e aposentada) Maria Sonia Bianchini, de 75 anos, São Paulo é a melhor cidade que existe para idosos. "Não entendo as pessoas com idade avançada preferindo mudar para outros locais, como Santos. Aqui tem de tudo", diz ela, que mora e trabalha no Paraíso, onde tem uma pousada de 14 suítes a quatro quadras de sua casa.

"É evidente que a cidade tem se tornado cada vez mais fácil de viver para idosos", afirma Oded Grajew, de 65 anos, coordenador do Movimento Nossa São Paulo. "Mas há muito a ser feito."

Problemas. Os maiores incômodos apontados por idosos, especialistas, entidades e até representantes do governo são mobilidade, habitação e saúde.

A situação do transporte público é problemática. Na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), 18 das 89 estações são completamente acessíveis. Na cidade, só há 500 quilômetros de calçadas adaptadas. A situação não é melhor no metrô nem nos ônibus.

Na área de saúde, o problema é a falta de atendimento especializado: para prestar serviço nas 545 unidades da rede municipal destinadas a atendimento primário (prevenção) e secundário (diagnóstico), além das oito Unidades de Referência à Saúde do Idoso (Ursi), a Prefeitura conta com 27 médicos geriatras.

Na habitação, o problema extrapola entre os mais necessitados, que são os idosos que já não são autossuficientes. Na cidade de 1,3 milhão de idosos, a Prefeitura oferece apenas 90 vagas gratuitas em casas de repouso.

"As políticas direcionadas ao idoso ainda são tímidas, com o poder público tratando os problemas como responsabilidade das famílias. É um pensamento retrógrado, que precisa ser mais bem avaliado", disse Cláudia Beré, promotora de Atendimento ao Idoso do Ministério Público Estadual (MPE). "Mesmo assim, há bons exemplos na cidade, e a estrutura básica existe. Mas é necessário reparar alguns erros e continuar evoluindo."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.