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Cidade do interior invadida por criminosos ainda vive clima tenso

Grupo armado com fuzis invadiu município de Pilar do Sul, atirou a esmo e explodiu três agências bancárias

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2017 | 03h00

SOROCABA – Acostumado a lidar com furtos, tráfico de drogas e brigas de bar, o cabo PM Leite, viveu momentos de impotência na madrugada do dia 23, quando recebeu um pedido de reforço da Polícia Militar de Pilar do Sul, no interior de São Paulo. Cerca de 20 homens armados com pistolas e fuzis invadiram a cidade, aterrorizaram a população atirando a esmo e explodiram três agências bancárias. Leite e um colega patrulhavam o bairro Campo Largo, na vizinha Salto de Pirapora, e acudiram ao chamado.

 Na entrada da cidade, cruzaram com um dos carros usados pelos assaltantes. “Eles apontaram as armas pelas janelas (do veículo) e dispararam. Tivemos de parar a viatura e descer para nos proteger atrás dela”, contou. Os disparos de fuzil perfuraram o veículo oficial. Os policiais portavam revólver e pistola, armas curtas. Os criminosos fugiram.

Quase duas semanas após o assalto, o clima ainda é de medo e tensão na cidade de 30 mil habitantes. Na vitrine de uma loja do centro, um manequim exibe as perfurações de balas e estilhaços. As marcas dos tiros de fuzil ainda estão na parede da igreja matriz do Bom Jesus do Bom Fim. “Foi muito tiro, tiro, tiro, gente correndo para todo lado. Era madrugada de domingo e tinha muita gente na rua. Eu e meu marido estávamos próximos e vimos gente correndo para se esconder de medo até no cemitério. Houve vários estrondos”, conta a dona de casa Valéria Proença.

O borracheiro Paulo Cesário Lica viu os criminosos atirando contra um transformador de energia, antes de explodirem o Banco do Brasil. “Na fuga, eles entraram numa rua sem saída no bairro Colina e, quando voltaram, já tinha um monte de gente na rua. Um deles pôs a arma para fora e disparou, foi só correria, um Deus nos acuda.” O óleo do transformador vazou e o equipamento teve de ser trocado. A agência do Banco do Brasil estava passando por reforma por causa de outro ataque em abril do ano passado.

Também foram alvos as agências do Santander e do Bradesco. “Essa foi a terceira vez e logo não terá mais banco aberto aqui na cidade”, disse o ex-vereador Carlos Roberto de Barros. Durante o mandato, ele apresentou projeto na Câmara para instalar câmeras de monitoramento na cidade, mas não conseguiu a aprovação. Depois da sequência de ataques, duas agências estão fechadas e a terceira funciona parcialmente. Moradores são obrigados a se deslocar para Salto de Pirapora e São Miguel Arcanjo para sacar dinheiro e fazer depósito.

O Banco do Brasil e o Santander informaram que as agências passam por reformas e não há prazo para a reabertura. Comerciantes temem prejuízos no Dia das Mães. “Parte da população não tem acesso a cartões e muitos, principalmente da zona rural, fazem pagamento em dinheiro”, disse Marisa Tavares de Carvalho, dona de lojas de roupas.

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