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Cidade de São Paulo não terá feriado nesta segunda-feira

Adriana Ferraz e Rafael Italiani - O Estado de S. Paulo

18 Junho 2014 | 17h 11

Haddad anunciou que vai ampliar o rodízio de veículos, das 7h às 20h, para evitar que o trânsito de terça se repita

Atualizada às 23h10

SÃO PAULO- O prefeito Fernando Haddad (PT) ampliou o rodízio de veículos desta segunda-feira, dia 23, das 7h às 20h, após a Câmara Municipal rejeitar seu pedido público de decretar feriado quando o Brasil enfrentará Camarões, às 17h, em Brasília. A decisão foi tomada para tentar evitar mais um dia de caos no trânsito da capital, como aconteceu na terça-feira, que registrou lentidão de 302 km às 15h. A medida vai afetar veículos com placas de final 1 e 2. 

Neste mesmo dia, Holanda e Chile vão jogar no Itaquerão, às 13h, e a Radial Leste terá bloqueios a partir das 7h. Por causa das duas partidas da Copa do Mundo, Haddad informou também que a circulação nas faixas exclusivas à direita ficarão restritas aos ônibus durante toda a segunda-feira - em algumas vias, e em determinados horários, é permitida a circulação de carros fora dos horários de pico. Além disso, o prefeito declarou ponto facultativo para o funcionalismo municipal - exceto em serviços essenciais. 

“Todo mundo tem de se adaptar à realidade (sem feriado). Evidentemente, se todo mundo resolver se deslocar ao mesmo tempo, nós já vimos o que aconteceu. Tem de haver um escalonamento”, disse Haddad na noite desta quarta-feira, ao defender suas determinações. “As pessoas vão se adaptar, tomar como padrão o que aconteceu ontem e se organizar. Vai ter um comportamento adaptativo natural.”

Antes de anunciar seu “plano B”, o prefeito havia feito, pela manhã, um apelo aos vereadores, em coletiva de imprensa, para que reconsiderassem proposta feita anteriormente, e já rejeitada, de oficializar feriado em dia de jogos. Ele estava acompanhado da vice-prefeita Nádia Campeão, responsável pela organização do Mundial na capital, e do secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto.

“Em todas as vezes que apresentamos o plano da Copa, sempre dissemos que o dia 23 era o mais complicado. Sempre foi a posição do Comitê ter a medida (feriado)”, disse Nádia. A intenção do prefeito era sancionar a lei ainda nesta quarta, mas a Câmara, sem o quórum mínimo, nem sequer pôs o tema em votação. 

Um racha na base aliada impediu o avanço da proposta. Como os vereadores estarão de folga, por causa do feriado de Corpus Christi, restou à Prefeitura apenas adotar as medidas paliativas. Com a pressão da oposição e sem a presença de parlamentares que regularmente apoiam o prefeito, como Adilson Amadeu (PTB), Milton Leite (DEM), Toninho Paiva (PR) e Nelo Rodolfo (PMDB), faltou o número necessário de vereadores. O painel do plenário precisava marcar 28 vereadores, e foi fechado em 27 - cerca de meia hora antes, no entanto, 42 parlamentares haviam registrado presença. 

Líder do PT, Alfredinho reconheceu que a resultado foi reflexo da falta de união da base. “A oposição fez seu papel, mas não vamos jogar a culpa só nela. Também é culpa da base. Se toda a base tivesse votado, tínhamos condição de ter os votos necessários”, afirmou. 

O vereador, porém, disse que o prefeito não perdeu a maioria na Casa e atribuiu a derrota aos interesses específicos dos colegas. “Sabemos como é a política. Muitos têm ligação com o comércio, com a indústria e, por isso, resolveram não apoiar. Quem votou contrário terá de explicar para a população se mais uma vez o trânsito parar a cidade”, afirmou.

Para Marco Aurélio Cunha (PSD), o planejamento deve ser priorizado, com mais agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) nas ruas e semáforos programados para a antecipação do horário de pico. “Será que só hoje (ontem) se pensou que tem trânsito em São Paulo?” 

Contrabando. Essa é a segunda derrota de Haddad em sua tentativa de decretar feriados no Mundial. O primeiro projeto foi levado em abril à Câmara. Em 20 de maio, os parlamentares aprovaram folga apenas no dia 12, na abertura, quando Brasil enfrentou a Croácia, no Itaquerão. O artigo que delegava a Haddad decidir sobre os demais dias foi retirado do texto.

Após pedido pessoal do prefeito, o presidente da Câmara, José Américo (PT), determinou à assessoria técnica que avaliasse se algum projeto já aprovado em primeira discussão poderia incluir o tema. 

Após três alternativas descartadas, a solução foi “emprestar” proposta de Paulo Fiorilo (PT) que instituía o Dia da Revolução dos Cravos, em menção ao movimento que levou Portugal à democratização. No jargão, a manobra é chamada de “contrabando” e pode ser novamente cogitada caso a seleção avance no Mundial e tenha de jogar em dias de semana. 

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