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Guarapiranga e Billings liberam 60 bilhões de litros de água

Com as chuvas, foi necessário descarregar Sistemas Guarapiranga e Rio Grande para evitar transbordamento das barragens

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Fabio Leite,
O Estado de S. Paulo

19 Janeiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - A volta das chuvas fez a Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) descarregarem os Sistemas Guarapiranga e Rio Grande, o braço despoluído da Billings, para evitar o transbordamento das barragens, uma manobra adotada ainda durante a crise hídrica. Desde 8 de dezembro, cerca de 60 bilhões de litros de água foram escoados – 45 bilhões e 15 bilhões em cada reservatório, respectivamente, após superarem 90% da capacidade.

Segundo a Sabesp, que usa os dois sistemas para abastecer cerca de 8 milhões de pessoas na Grande São Paulo, “não há desperdício de água” porque “a sobra do Guarapiranga e do Rio Grande é bombeada de volta para a (Represa) Billings” e “fica disponível para ser reaproveitada, tanto para produção de água potável quanto para produção de energia elétrica” na Usina Henry Borden, em Cubatão, Baixada Santista.

A água armazenada na Billings, por exemplo, tem sido usada para socorrer o Sistema Alto Tietê, que atravessou severa estiagem em 2014 e 2015. A transposição, no entanto, estava prevista para ser entregue em maio do ano passado, foi inaugurada em 30 de setembro em caráter de testes e entrou em operação plena no dia 11 de dezembro, após a descarga de água do Rio Grande. Por segundo, até 4 mil litros de água podem ser transpostos – 10,4 bilhões por mês. Para encher reservatórios, a Sabesp investiu R$ 180 milhões em obras emergenciais na seca de 2015.

O volume de água descarregado até esta segunda-feira, 18, equivale a 35% da capacidade total do Guarapiranga (171 bilhões de litros) ou a 53% do Rio Grande (112 bilhões) e seria suficiente para abastecer cerca de 7 milhões de pessoas durante um mês. Nos dois casos, a água descarregada se mistura com a que é bombeada do Rio Pinheiros em períodos chuvosos para evitar enchentes na capital. Nesta segunda, o Guarapiranga e o Rio Grande tinham 86,1% e 94% da capacidade, respectivamente.

“A Sabesp deve ter mantido essas represas com o nível elevado com medo de que não chovesse tanto agora. Como as chuvas chegaram muito forte, ela está sendo obrigada a descarregar um volume grande de água por questão de segurança”, explica Marussia Whately, consultora em recursos hídricos e coordenadora do movimento Aliança pela Água.

Ao contrário do Cantareira e do Alto Tietê, esses dois sistemas não sofreram como a estiagem. Por isso, tiveram a capacidade de produção ampliada pela Sabesp durante a crise hídrica. De fevereiro a dezembro do ano passado, a produção de água no Guarapiranga chegou a superar a do Cantareira, que retomou o posto de principal sistema neste mês.

O Guarapiranga e o Rio Grande ficaram com níveis elevados (acima de 70%) mesmo antes do início da período chuvoso, em outubro. Com a volta das chuvas, o estoque dos reservatórios subiu rapidamente, ultrapassando o limite de segurança. Para evitar o transbordamento, a Sabesp e a Emae, estatal paulista que opera o Guarapiranga, passaram a despejar água do lado limpo para o trecho poluído.

Início. As manobras começaram no Rio Grande, quando o sistema chegou a 99% da capacidade, no dia 8 de dezembro. No Guarapiranga, a transferência é feita para o canal do Rio Pinheiros que deságua na Billings por meio da abertura de comportas pela Emae. A primeira delas aconteceu no dia 28 de dezembro, quando o sistema tinha 92% da capacidade.

Segundo a Sabesp, mesmo após a água ser descarregada na Billings ela ainda pode ser aproveitada para abastecimento público porque a companhia usa os braços Taquacetuba e Rio Pequeno, da represa, para transferir até 9 mil litros por segundo para o Guarapiranga e Rio Grande. Hoje, contudo, como os dois sistemas estão cheios, as transferências de água não estão sendo feitas pela companhia.

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