Chuva em SP: mais um dia de transtorno, morte e tumulto

Homem morreu quando uma árvore atingiu o carro em que ele estava, no acesso à Ponte da Vila Maria

O Estado de S.Paulo,

04 Fevereiro 2010 | 00h32

Córrego do Mandaqui transbordando na avenida Eng. Caetano Alvares, na zona norte. Foto: José Patrício

SÃO PAULO - O temporal que teve início por volta das 16h30 desta quarta-feira em São Paulo deixou uma pessoa morta, interrompeu a circulação de duas linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), alagou uma estação do Metrô e fez transbordar o Rio Tietê pela quarta vez desde setembro.

  

No acesso à Ponte da Vila Maria, na zona norte, uma árvore caiu sobre um carro por volta das 17h30 e matou um homem de 74 anos. Ele teve ferimentos decorrentes do acidente e foi encaminhado para o Pronto-Socorro de Vila Maria, mas já chegou morto ao local, às 18h45, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Com essa ocorrência, sobe para 71 o número de mortes em decorrência das chuvas no Estado desde dezembro. Foram registradas também 20 quedas de árvores na cidade.

  

Até a meia-noite, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) registrou 43 pontos de alagamento, 19 intransitáveis. Segundo o órgão, cinco pontos da Marginal do Tietê ficaram alagados: perto das Pontes Jânio Quadros, das Bandeiras, Aricanduva, Vila Guilherme e no acesso à Via Dutra. As pistas expressa e local foram interditadas, nos dois sentidos. A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, no entanto, contrariou o CGE e afirmou que o Tietê não transbordou.

 

Árvore de grande porte caída na Marginal Tietê, que teve faixas interditadas. Foto: Clayton de Souza/AE

 

Os 30,1 milímetros de chuva, que vieram depois de um dia quente - a temperatura chegou 33,2°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) -, também fizeram extravasar os Córregos Mandaqui, na zona norte, Tiquatira e Aricanduva, zona leste. Os bairros Aricanduva, Penha, Itaquera e Casa Verde ficaram em estado de alerta.

  

O Córrego Aricanduva, usado muitas vezes pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) como exemplo de obra antienchentes, alagou pela segunda vez (a anterior havia sido em 21 de janeiro). Os dois pontos intransitáveis da Avenida Aricanduva estavam no sentido Itaquera.

 

 Às 19h30, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 129 km de congestionamento na capital. Entre os pontos pelos quais o motorista não conseguia prosseguir estavam a Avenida do Estado, com a Avenida Tiradentes, no centro, e Sumaré, zona oeste.

 

 TRANSPORTES

  

O temporal interrompeu o funcionamento das Linhas 11-Coral e 12-Safira da CPTM, entre as Estações Brás e Tatuapé. Os problemas tiveram início por volta das 18 horas. Segundo a CPTM, os usuários dessas linhas foram atendidos pelo Metrô, depois de fazerem integração na Estação Tatuapé (Linha 3-Vermelha) para prosseguir viagem com destino a Guaianases ou Calmon Viana.

 

 A Linha 10-Turquesa apresentou diversos pontos de alagamento entre as Estações da Luz e Santo André. A operação desse trecho ficou restrita entre Santo André e Rio Grande da Serra, no ABC paulista.

 

  

Multidão na plataforma da Estação Sé do Metrô, que teve circulação afetada. Foto: Sergio Neves/AE

 

No Metrô, a Estação Jardim São Paulo da Linha 1-Azul, na zona norte, ficou alagada e teve de ser fechada por meia hora, até as 18h30. Às 20 horas, porém, ainda era possível ver lixo e galhos no local. Segundo o Metrô, a água escorreu pela estação, que tem sistema de sucção. A circulação das composições, segundo a empresa, não foi interrompida.

  

A tradutora June Camargo, de 38 anos, saiu da Estação República, na Linha 3-Vermelha, em direção ao Jardim São Paulo. Ela esperou seis trens passarem até conseguir lugar em uma composição. Logo que saiu da Praça da República, disse ela, a água invadia o vagão pelas janelas. Quando chegou ao seu destino, a tradutora viu a estação sendo inundada e muitos passageiros correndo, em pânico. A água chegou à altura do joelho. "As pessoas começaram a se pendurar nas grades. Elas se descontrolaram", afirmou.

 

 Na Sé - onde a operação Embarque Melhor teve de ser interrompida até as 20 horas - e na Barra Funda, uma multidão tomou a plataforma de embarque no horário de pico.

 

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