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Chuva de granizo alaga estradas, para aeroportos e deixa ruas cobertas de gelo

Diego Zanchetta e Mônica Reolom - O Estado de S. Paulo

18 Maio 2014 | 21h 03

Temporal foi o primeiro significativo na capital paulista desde 15 de abril; ruas ficaram tingidas de branco em toda a cidade

SÃO PAULO - Uma forte chuva de granizo atingiu São Paulo, por volta das 17 horas deste domingo, 18, e deixou dezenas de ruas cobertas de branco, da região central ao extremo da zona sul. Em avenidas do Morumbi e da Lapa, por exemplo, era possível observar os tetos das casas e dos comércios completamente cobertos de gelo. A impressão é de que havia nevado na cidade. Shows que encerrariam a Virada Cultural foram cancelados e os Aeroportos de Congonhas, na zona sul, e de Cumbica, em Guarulhos, ficaram fechados por cerca de 30 minutos.

Mas o temporal foi rápido e não provocou estragos. O fenômeno foi provocado pela chegada de "jatos" de ventos de até 215 km/h que estavam a 10 km da superfície. Desde o dia 15 de abril que a capital não registrava uma chuva significativa - foram 7,8 mm ontem, no Mirante de Santana.

"Como havia esse jato na atmosfera, e um vento com massa mais quente na superfície, criou-se uma situação de instabilidade. Diante dessa situação, as nuvens começaram a se formar, favorecendo o aparecimento do granizo. A chuva se forma numa temperatura de 0ºC e cai em flocos até a superfície sem derreter", afirmou Paulo Matsuo, meteorologista da Climatempo.

Ele explicou que esse vento a cerca de 10 quilômetros da superfície indica que uma "massa polar potente" deve chegar à capital paulista até sexta-feira.

Transtornos. A chuva de granizo começou pelo centro. Centenas de pessoas que aproveitavam as apresentações da 10.ª Virada Cultural de São Paulo tiveram de sair correndo para as marquises, na tentativa de se proteger do gelo e do vento forte. Alguns shows, como o de Valesca Popozuda e o da cantora Céu, foram cancelados.

Na Avenida 9 de Julho, ao lado da Praça da Bandeira, também na região central, um ponto de alagamento fechou a pista no sentido bairro por cerca de 50 minutos.

"Não tem como ficar com criança aqui e essa chuva de granizo. Acabei de sair da estação do metrô e já vou voltar. Fica para a próxima", lamentou Renato Goes, de 42 anos, que estava com os dois filhos pequenos, de 3 e 6 anos, saindo da estação Marechal Deodoro para assistir os últimos shows da Virada, por volta das 17h30.

Na região da Avenida Paulista, um dos pontos mais altos da cidade, o temporal de granizo assustou quem estava a passeio. "A gente já viu tanta enchente em São Paulo pela televisão que achei que agora ia ser realmente um temporal daqueles. Deu medo, mas ainda bem que foi rápido", disse a farmacêutica Ligia Marly de Almeida, de 41 anos, turista de Curitiba. "Parece que nevou mesmo, no final foi até bonito."

Na Aclimação, na zona sul, um tapete branco se formou em avenidas como a Muniz de Souza e a Lins dos Vasconcellos. A mesma cena se repetiu no Morumbi e nas ruas do Campo Limpo, na mesma região. Pelas redes sociais, as fotos das ruas cobertas de branco vinham de todas as áreas da capital. Até em cidades do ABC houve registro de granizo.

Na Rodovia Régis Bittencourt os alagamentos provocaram lentidão na chegada a São Paulo. Já na Raposo Tavares, uma queda de barreira fechou o tráfego por 40 minutos no km 30, por volta das 17h.

Susto. O voo Gol 1075, que saiu de Presidente Prudente às 15h26 com destino ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, arremeteu duas vezes antes de conseguir pousar em Viracopos, em Campinas.

Com previsão de chegada às 16h29 em Congonhas, o avião encontrou o aeroporto fechado por causa do temporal - Congonhas fechou por 20 minutos, entre as 16h23 e as 16h42.

O piloto arremeteu e prosseguiu para o Aeroporto de Cumbica, onde também teve de arremeter por causa do mau tempo. A aeronave seguiu, então, para Viracopos, a terceira opção, e pousou às 17h17. Depois de uma hora de espera, às 18h20, o avião decolou novamente e conseguiu pousar em Congonhas, às 18h55, duas horas e meia depois da previsão inicial.

A Gol informa que o procedimento de arremetida é comum e seguro e que os passageiros não correram risco durante as manobras.