JF Diório/Estadão
JF Diório/Estadão

Chuva de fevereiro definirá corte histórico

Secretário diz que, se o racionamento acontecer, ‘todo mundo será informado com a devida antecedência’

FABIO LEITE, FELIPE RESK, ANA FERNANDES e JOSÉ ROBERTO CASTRO, O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2015 | 22h03

Um rodízio no qual a população fica cinco dias da semana sem água seria o racionamento oficial mais drástico já adotado na Grande São Paulo. A medida foi admitida nesta quarta-feira, 28, pelo diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, caso a seca nos mananciais continue crítica. Se colocada em prática, os cerca de 20 milhões de moradores da região metropolitana sofreriam com longos cortes no abastecimento que só existiam antes da conclusão da primeira etapa do Cantareira, em 1974. 

Nesta quarta-feira, 28, o secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga, enfatizou que a situação “é difícil”, mas “não há necessidade para ficar em desespero”. “Se isso (o rodízio) vier a acontecer, todo mundo será informado com a devida antecedência. Não é da noite para o dia”, disse, após encontro com prefeitos da Grande São Paulo. Braga ressaltou que a previsão meteorológica hoje “é difícil” e será necessário aguardar pelas chuvas de fevereiro para saber se a medida será necessária. 

Até o início da década de 1970, sem os 11 mil litros por segundo que passaram a ser produzidos pelo Cantareira, a parte leste da Grande São Paulo chegava a ficar dias sem água, aguardando por abastecimento com poços e caminhões-pipa. Àquela época, a região metropolitana tinha cerca de 8 milhões de pessoas, ou seja, menos da metade dos mais de 20 milhões atuais.

Nem a conclusão completa do Sistema Cantareira, em 1982, que elevou a capacidade de produção de água do manancial para 33 mil litros por segundo, foi suficiente para que 100% da região tivesse acesso a água tratada. O fim do racionamento contínuo, que afetava principalmente a zona leste da capital, só foi decretado em 1998 pelo ex-governador Mário Covas (PSDB), após a conclusão do Sistema Alto Tietê, cujas represas ficam na região de Suzano e Salesópolis.

Dois anos depois, a falta de chuvas fez cerca de 3 milhões de pessoas abastecidas pelo Guarapiranga na zona sul viverem durante três meses com água racionada. Na ocasião, o rodízio adotado foi de dois dias com água e um dia sem. A medida terminou em setembro de 2000.

Mais conteúdo sobre:
São Paulo crise da água

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.